Anciãos e militantes da primeira linha da FNLA exigem demissão de Lucas Ngonda

Mais de 300 militantes da Frente de Libertação Nacional (FNLA), vindos das 18 províncias do país, estão concentrados defronte à sede do partido no Bairro Popular, para exigirem a destituição do actual presidente, Lucas Ngonda, da liderança do partido.

Texto de: José Kaliengue

O grupo constituído por 312 militantes está em Luanda desde o passado dia 14 de Agosto para dia logar com o actual líder do partido e, segundo afirmam, a reunião terá como ponto único o afastamento de Lucas Ngonda da direcção do partido. Os antigos guerrilheiros e fundadores do partido alegam que há má-fé da parte do actual presidente.

Por este motivo, garantem que não arredarão o pé da sede do partido até que sejam ouvidos. Os militantes da FNLA acusam Lucas Ngonda de rejeitar a unidade do partido, levando o partido histórico à beira da extinção, além de má gestão dos fundos do partido.

Manuel Baptista Fula, de 85 anos de idade, militante da primeira hora da FNLA, declarou à imprensa que o objectivo do encontro é conversar com Lucas Ngonda, “Estamos a ver que o partido está a afundar-se. É hora de fazermos alguma coisa ou cairemos no esquecimento e todas as nossas lutas serão vencidas”, frisou.

“Hoje, o partido está em 0,7%. Estamos receosos de não termos voz na Assembleia Nacional no próximo pleito e, desta forma, colocaremos no “lixo” todos os esforços feitos ao longo destes anos, simplesmente por ganância”, acrescentou.

Nas primeiras eleições gerais de 1992, com o presidente Holden Roberto, a FNLA conseguiu eleger cinco deputados à Assembleia Nacional. Em 2008, sob presidência de Lucas Ngonda, o partido teve três deputados.

Nas eleições de 2012, o partido elegeu dois deputados e, em 2017, o único deputado é o próprio Lucas Ngonda. Lembrou que o primeiro encontro estava agendado para o dia 30 de Agosto e não se realizou pela ausência injustificada de Lucas Ngonda.

Afirmou que a marcação desta reunião para ontem, 04, foi feita pelo presidente e o mesmo não aconteceu por haver militantes do lado de fora das instalações, segundo informações da direcção. Por seu turno, a porta-voz do grupo, Lucinda Roberto da Costa, disse que a comissão para reunirse com Lucas Ngonda é composta por 12 anciãos provenientes de diferentes partes do país.

“Consideramos esse acto uma falta de respeito e de consideração”, sublinhou. Segundo Lucinda Roberto, a reunião foi remarcada por Lucas Ngonda para as 10 horas de ontem, 04. “Passadas quatro horas, recebemos a notícia de que ele não virá reunir-se com os anciãos porque se sente ameaçado pelos militantes.

Acha que os mais velhos de 80 e tal anos vão fazer-lhe mal? Que tipo de presidente é este que não é capaz de encarrar os seus militantes?”, questionou a porta-voz do grupo que aguarda pela presença de Lucas Ngonda.