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Carta do leitor: O problema da educação

Caro director José kaliengue,

É com enorme satisfação que lhe escrevo, pois tenho acompanhado as suas reflexões sobre os “factos e fenómenos” que todos os dias se manifestam na nossa sociedade.

Aprecio a sua forma de escrever e, sobretudo, a sua visão mais além sobre o nosso quotidiano. Várias são as inquietações que me tiram o sono, coisa que viram moda e que ninguém fala abertamente, ou por fingimento, ou por falta de conhecimento, ou talvez por falta de espírito ou sentido crítico, não no sentido de criticar aquilo que achamos que está mal, mas no sentido de refletirmos sobre o tipo de sociedade, de mundo que queremos deixar para os nossos filhos, netos, etc.

O que me leva a escrever para o senhor, hoje, é a notícia que vem como manchete no vosso jornal, notícia que já havia acompanhado pela TPA. Diz-me só uma coisa, não é na Huíla onde se deu também a prisão do caso dos combustíveis…Vice director do SIC? Se bem me lembro, numa das suas reflexões, o senhor abordou sobre o homem da PGR na Huíla, que parece estava a ser acusado de ter agredido uma senhora, que, parece ser, um homem de tomates bem criados (perdão…empolgueime) que está a tirar o sono de muito peixe graúdo lá na Huíla.

Mas o que me leva a chateá-lo é mesmo a questão “bisno” cá no nosso país, e pela confusão da “bufunfa” no Ministério da Educação, muito mais ainda por se tratar da prisão do director do gabinete provincial da Educação. Sou professor do ensino primário admitido no concurso público de 2010, como eu, muitos dos jovens formados nos IMNE`s conseguiram o seu primeiro emprego.

Sou Escreva para o Jornal OPAÍS através do e-mail [email protected] ou ligue para estes contactos Tel: 222 003 268 Fax: 222 007 754 natural do Dondo, Kwanza Norte, embora estando a viver cá em Luanda desde 1996, tenho muitos amigos que também ingressaram naquele concurso de 2010.

O facto é, todos os meus amigos do Dondo, em 2010 receberam o tal “retroactivo”, que naquela época rondavam os duzentos e tal mil kwanzas, parece que vinha já com o primeiro salário.

Normalmente, nas escolas, antes dos professores receberem o salário, passa uma folha para que os directores validem, para não haver reclamações depois dos pagamentos. A minha mãe também é professora e na sua escola também recebeu novos colegas que acabavam de ingressar para os quadros do ministério.

Duas semanas antes de se efectuar o pagamento, passou a folha e lá estava (na folha) que os novos professores iriam receber o tal retroactivo. Final do mês chegou e o tal retroactivo nunca recebemos, mas todos os meus amigos do Dondo receberam, há provas e os professores de várias províncias receberam, Luanda nunca recebeu.

A questão que se coloca é a seguinte: Será que não estamos perante mais um roubo? Quantos professores em Luanda foram admitidos…É só pegarmos na calculadora que veremos um número com muitos dígitos…com essa notícia, nem tento pensar que estou equivocado, numa terra em que roubar, ser desonesto é moda, onde ser honesto é burrice, onde o ex-director provincial da Educação possui o que possui…sinceramente, só nos leva a lamentar.

Gostaria muito, senhor director, que lesse a minha carta, não para ser publicada, mas pelo menos para ser analisada. O bem público não é a casa da mãe Joana, não nos podem matar assim aos poucos, não se deve tirar a dignidade da pessoa, é preciso fazer alguma coisa. Fico por aqui, na esperança de ter um país melhor, com homens que tenham uma visão para frente, mas com homens honestos e com lisura no agir.

Obrigado

D. dos Santos

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