Há quase 50 mil empresas em Angola

Mais de metade das quase 50 mil empresas angolanas recenseadas pelo INE no seu Anuário de Estatísticas de Empresas 2014-2017 encontra-se em Luanda e quase metade delas ocupa-se do comércio, por grosso ou a retalho

Texto de: Luís Faria

Há cada vez mais empresas em Angola (entre 2014 e 2017 a tendência foi crescente), mais de metade das unidades em actividade concentra-se em Luanda e quase metade opera no “comércio por grosso e a retalho”. Estas as grandes conclusões a retirar do Anuário de Estatísticas de Empresas 2014-2017 que o Instituto Nacional de Estatística (INE) acaba de publicar. Em 2017 encontravam-se em actividade, de acordo com o estudo do INE, mais de 49 mil empresas (49.376), concentrando-se 58% na província de Luanda, 8% na de Benguela, absorvendo o Cuanza-Sul 5%, a Huíla 4%, o Huambo também 4% e Cabinda 3%.

O sector do “comércio por grosso e a retalho” ocupava 49% das empresas activas, o “alojamento e restauração (restaurantes e similares) 9%, as “actividade de consultoria, científicas, técnicas e similares” 6%, a “construção” 6%, a “indústria transformadora” outros 6% e as “actividades administrativas e serviços de apoio” 4%. É digno de registo que, num período de desaceleração da economia, que passou mesmo por uma fase recessiva em 2016, o número de empresas, quer a aguardar início de actividade quer a operar não tenha parado de crescer, sendo o ritmo de crescimento mais intenso entre as primeiras, as que ainda se preparam para entrar no mercado.

De destacar que, no plano jurídico, 50% das empresas apresentamse como empresas em nome individual, ao passo que 47% são sociedades por quotas. Mais iniciativa desde 1996 É a partir de 1996 que os angolanos mostram mais iniciativa na criação de empresas. Foi entre aquele ano e 2005 que arrancaram 43,6% das empresas que se encontravam o ano passado em actividade, tendo, entre 2005 e 2017, começado a operar 44,3% delas.

Apenas 9,4% das empresas que se encontravam activas no último ano se estrearam no mercado entre 1986 e 1995. No período analisado no último anuário do INE (2014-2017) foi em 2016 que se verificou a maior taxa de natalidade de unidades em presariais (5,3%) e foi em 2015 que se assistiu ao nascimento de menos empresas, tendo a taxa de natalidade ficado por 1,4%. Já a mortalidade tem maior incidência em 2014 e 2017, com 1,5% e foi mais baixa em 2015, com 1,3%. Tanto a taxa de natalidade como a de mortalidade das empresas – quoficiente entre as empresas que nascem ou fecham e as que se encontram activas num determinado ano – verificada no período em questão, têm mais a ver com a expectativa dos agentes económicos e outros factores que com a evolução do ciclo económico, havendo que recordar que a mais baixa taxa de evolução da economia aconteceu em 2016. Quando se aborda os indicadores que assinalam o nascimento e a morte de empresas no plano geográfico constata-se que a maior taxa de natalidade no período em análise se registou na Província do Huambo, com 8,6%, seguida pelo Bié, com 8,5%, em 2017.

O documento do INE adianta que 21 “em relação às actividades económicas em 2017, as maiores taxas de natalidade de empresas, foram observadas nas actividades artísticas, de espectáculos, desportivas e recreativas, com 10,3%, seguidos das actividades administrativas e dos serviços de apoio, com 9,3%. Observando a forma jurídica, as sociedades por quotas tiveram a taxa de natalidade mais elevada em 2016, com 6,2% e em 2017, com 5,2%”. No último ano, as menores taxas de natalidade foram observadas nas empresas em nome individual e nas sociedades anónimas, com 1,9% e 2,1%, respectivamente. Já a maior taxa de mortalidade de empresas registou-se na província do Cuando Cubando, com 5,9%, seguindose a do Bengo (6%).

A análise da mortalidade de empresas por actividade económica no período em referência demonstra que em 2017, a taxa mais elevada ocorreu na agricultura, produção animal, caça, floresta e pescas, com 4,2% e na electricidade, gás, vapor, água quente e fria e ar frio, com 4,1%. A menor taxa de mortalidade registou-se nas actividades artísticas, de espectáculos, desportivas e recreativas, com 0,0%. Relativamente ao seu estatuto jurídico, a mortalidade das empresas foi mais elevada nas empresas públicas em 2016 e 2017 com 18,8% e 18,1%, respectivamente. O ano 2017 observou as mais baixas taxas de mortalidade da generalidade das outras formas jurídicas, destacando- se as sociedades por quotas e as sociedades anónimas com 1,0% e 1,7%, respectivamente