Delegações empresariais devem ser mais representativas

A empresária Filomena Oliveira afirma que não se pode alimentar o país por via das importações, defendendo uma forte aposta na autossuficiência alimentar. a também responsável associativa sugere que as missões empresariais que integram a comitiva presidencial devem ser mais representativas

Texto de: Miguel Kitari

Desde que tomou posse como Presidente da República, João Lourenço tem dedicado particular atenção ao sector económico, que atravessa uma crise desde 2014. Nas suas várias deslocações ao exterior do país, o Presidente da República tem sido acompanhado por empresários nacionais. Para Filomena Oliveira, é bom que um Presidente da República que asume o cargo pela primeira vez se consiga relacionar com vários Estados, pois o mundo está numa fase de interdependência económica, que passou a ser regra.

Segundo ela, este exercício deve transformar-se em dividendo económico para o país. Entretanto, lamenta que nem sempre se consegue atingir o objectivo da visita, pois são sempre os mesmos que integraram a delegação, defendendo a democratização na selecção dos seus integrantes.

“Temos de saber, com alguma antecedência, que acordos serão assinados e que acordos existem com o país a ser visitado. Não se pode ir às escuras e com as mesmas pessoas. Não sei qual é o critério, mas deveria haver uma maior abertura”, advogou a em presária.

Segundo ela, que é também a representante da AAPCIL em Luanda e membro da Confederação Empresarial de Angola, os ministérios do Comércio e das Relações Exteriores devem divulgar a agenda presidencial aos empresários e associações, assim como os acordos existentes, com alguma antecedência. Deste modo, defende, é possível organizar uma missão à altura, pois há negócios que podem interessar a um determinado empresário e a outro não.

“Em função do meu negócio, pode ser que eu não tenha interesse na China, mas sim no Japão. E penso que os convites deviam ser feitos por via das associações representativas”, sublinhou. Para si, deve haver mais interacção entre os serviços de apoio do Presidente da República, os ministérios das Relações Exteriores e do Comércio e associações empresariais para que se possa tirar maior proveito dos acordos nos vários domínios.

“Os encarregados de negócio das embaixadas de Angola podem ser um grande elo com os empresários nacionais, uma vez que cada país tem os seus pontos fortes e fracos”, lembrou.

Mais dinheiro para a produção nacional Para Filomena Oliveira, o dinheiro que pode advir da diplomacia económica que está a ser feita por João Lourenço, em primeira instância, deve ser canalizado ao sector produtivo, com realce para a agricultura.

Segundo a responsável associativa, “é preciso deixar de alimentar o país por via das importações, nós vivemos dos contentores de comida. Para um país com potencialidades que todos reconhecem, é uma vergonha”, considerou, e acrescentou que é básico que se aposte na produção nacional, uma vez que além das terras, Angola dispõe de uma considerável bacia hidrográfica, mão-deobra e outras mais-valias.

“Com muita gente no desemprego, não podemos continuar a importar milho, feijão e outros produtos da cesta básica. Temos bons programas, como é o caso do Angola/Investe e outros, mas as oportunidades não têm sido iguais para todos”, lamenta, ao mesmo tempo que considera um erro de estratégia o Ministério da Agricultura concorrer com os empresários na importação de sementes e em outras acções ligadas ao sector.