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desvio no Hospital Central do Lubango leva antigo director ao SIC

Um suposto desvio de verbas destinadas ao pagamento dos enfermeiros e médicos eventuais no Hospital Central do Lubango(HCL), na Huíla, levou o seu antigo director administrativo a ser ouvido três vezes pelo Serviço de investigação Criminal

Texto de: JoãoKatombela

O antigo director administrativo do Hospital Central do Lubango, Pedro Caluvi Amade, prestou declarações sobre um processo relacionado a um suposto desvio milionário, segundo uma fonte de OPAÍS. A informação foi confi rmada por uma fonte da ProcuradoriaGeral da República na Huíla, onde decorrem as investigações deste processo que, por enquanto, está em segredo de justiça.

“Estamos a investigar o caso, não posso dizer qual é o crime que pesa sobre ele, mas está ligado à gestão danosa do erário público”, explicou. Pedro Caluvi Amade, o indiciado, confi rma a sua existência, afi rmando que “as acusações existem e os implicados devem ser ouvidos. Já fui ouvido três vezes e estou com a consciência tranquila”.

Quanto à natureza do processo, Pedro Amade declarou que não se tratar de um crime de peculato e que, neste momento, as investigações visam apurar as condições em que foi contratada uma empresa de prestação de serviços pela instituição em que era um dos responsáveis.

“O processo em que estou a ser ouvido é sobre a nomeação de um chefe de departamento de recursos humanos do Hospital. Fui acusado por um prestador de serviços de desviar o dinheiro que serviria para pagar a sua empresa, com que se pagou uma outra empresa. Mas as investigações feitas levaram a concluir que não é verdade”, defendeu.

Em causa 80 milhões de Kwanzas

Pedro Caluvi Amade, actualmente desempenha as funções de director administrativo do Hospital Geral do Huambo (HGH). Entretanto, uma fonte segura deste diário informou que o valor em causa ronda os 80 milhões de Kwanzas, que serviriam para pagar os salários de 71 funcionários, entre enfermeiros e médicos angolanos em regime de eventuais, de 2015 a Maio do ano em curso.

O desaparecimento das supracitadas importâncias levou a actual direcção do Hospital Central do Lubango a despedir todos os técnicos eventuais. A decisão da direcção do referido hospital, encabeçada por Paulo Kassanga, por sinal nomeado no princípio deste ano, provocou tumulto no seio dos técnicos, já que falava-se em mais de uma dezena deles nessa situação, cujas famílias dependem dos salários que não eram pagos desde o ano de 2015, altura em que Pedro Caluvi Amade foi nomeado para o cargo de director administrativo.

Em relação ao despedimento dos funcionários eventuais, o antigo director explicou que os contratos eram celebrados com uma empresa privada que fornecia mão-deobra ao Hospital Central do Lubango.

Acerca da situação fi nanceira, esta empresa começou a ter difi culdades em honrar os seus compromissos com o pessoal, o que provocou a rescisão do contrato com o hospital.

“Ao rescindir o contrato, o hospital decidiu absorver alguns dos funcionários” referiu. Por seu turno, o actual director do Hospital Central do Lubango, Paulo Kassanga, confi rmou que há uma dívida com o pessoal eventual despedido, de mais de dez meses.

“Inicialmente, nós tínhamos 88 funcionários eventuais, mas ante a crise económica, algum pessoal foi desistindo. M as, de lá para cá, controlamos um total de 71. Nós decidimos rescindir os contratos para não alastrar a dívida, mas, de Maio até agora, começamos a pagar parte da dívida que diz-se ser de 14 meses”, avançou.
Enfermeiros exigem regresso de Pedro Caluvi Amade
Apesar de todas as informações obtidas, alguns enfermeiros contactados por OPAÍS contestam o que disse Paulo Kassanga, ao alegar que são no total 38 meses de dívida.

Para além disso, estes enfermeiros, sob anonimato, exigem o regresso do anterior director administrativo do Hospital do Huambo ao Lubango, Pedro Amade, porque acreditam que apenas este pode solucionar os problemas causados durante o seu consulado.

“Essa informação de que são 14 meses não é verdadeira, porque nós estamos sem salários desde 2015, e quem pode responder a isso é o senhor Amade.

Como pode um administrador que deixou muitos problemas aqui no Lubango ir ao Huambo? Ele tem que voltar e resolver os problemas que levantou aqui no Lubango”, declararam.

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