Dino Matrosse destaca “carreira de êxitos” de José Eduardo dos Santos

O secretário para as Relações Internacionais do MPLA realçou hoje os êxitos de 39 anos de liderança partidária de José Eduardo dos Santos, marcada também por falhas, não fosse ter, “de boa-fé”, confiado em “algumas pessoas que o enganaram”.

Julião Mateus Paulo “Dino Matrosse” falava à agência Lusa sobre a transição na liderança do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido no poder, que ocorre, sábado, no VI Congresso Extraordinário, com a eleição de João Lourenço, vice-presidente do partido e atual Presidente de Angola.

Com a realização do congresso, José Eduardo dos Santos, que assumiu a liderança do partido em 1979 e, consequentemente a Presidência da República, no mesmo ano, deixa a vida política ativa, iniciada, em 2017, ao não se ter recandidatado à Presidência de Angola nas eleições gerais de 23 de agosto de 2017.

Para o veterano “Dino Matross”, ex-secretário-geral do partido, não foram fáceis os anos de liderança de José Eduardo dos Santos, quer como Presidente da República (38), quer como presidente do MPLA (39).

“Não foram anos fáceis. A morte [em 1979] do [então] presidente [Agostinho] Neto foi prematura, criou um vazio. Na altura, encontramos a pessoa que o podia substituir e a escolha recaiu no Presidente José Eduardo dos Santos”, recordou.

O político enunciou alguns dos aspetos que marcaram os 39 anos de carreira política de José Eduardo dos Santos, como a “guerra que devastou” Angola, a economia em baixa, as famílias afetadas, as mortes e a mutilação de pessoas.

“O Presidente, apesar de todas essas dificuldades que atravessamos – também a comunidade internacional não foi fácil na altura -, soube moldar a vida e conseguiu conquistar a paz a 04 de abril de 2002 e, a partir daí, as coisas começaram a correr de uma forma já mais harmoniosa e foi-se trabalhando para a melhoria da vida das populações”, referiu.

A reconstrução do país, nomeadamente das infraestruturas aeroportuárias, das vias de acesso rodoviárias, escolas, universidades e hospitais, foi uma “batalha muito grande” empreendida por José Eduardo dos Santos, sublinhou o secretário para as Relações Internacionais do MPLA, que evidenciam que o líder do partido “cumpriu o seu papel”.

“Deixa um legado de continuação. Temos que continuar a sua obra, como ele continuou a obra do Presidente Agostinho Neto. Teremos também de continuar a obra dele. Pôs Angola a um nível mais alto do que era. Vamos continuar com o esforço que ele fez”, disse.

Instado a apontar aspetos menos bons da governação e liderança de José Eduardo dos Santos, o dirigente do MPLA admitiu falhas, porque “um homem não faz só tudo bem”.

“Tem as suas falhas, não posso aqui apontar falhas, mas houve naturalmente falhas. Ele próprio já as tinha assumido num dos seus discursos, há pouco tempo. Disse que uma cabeça pensa bem, mas várias cabeças pensam melhor e que só não erra quem não trabalha. Portanto, falhas houve e isso também tem de se dizer”, salientou.

Segundo Julião Mateus Paulo “Dino Matross”, em 39 anos, com “vários problemas”, nem tudo pode ter corrido bem, sobretudo, porque, “às vezes, apareceram as pessoas que o enganaram”.

“Foi de boa-fé, acreditando nas pessoas. Mas algumas pessoas também não fizeram bem. Nós próprios, quando nos deram algumas tarefas, será que também as cumprimos bem? Acho que, se houve erros, não se deve imputá-los só a ele [José Eduardo dos Santos]. Deve-se imputar também a todos nós que, um dia, fizemos parte da sua equipa”, sentenciou