“Presidente Lourenço não fez mudanças extraordinárias” diz a UNITA

Em vésperas de completar um ano de governação, o “Galo Negro” defende ser preciso traduzir o discurso para acçoes prácticas

Texto de: Norberto Sateco

A UNITA, o maior partido da Oposição em Angola, considera que neste período de quase um ano que João Lourenço tomou posse como Chefe de Estado, o país continua a não registar mudanças “extraordinárias” a todos os níveis.

O líder da bancada parlamentar do “Galo Negro”, ao analisar os últimos indicadores económicos, admitiu uma evolução do ponto de vista do “marketing político”, mas que entende não andar à mesma velocidade que as acções. Adalberto da Costa Júnior reforçou a sua tese dando como exemplo a alegada refundação do Gabinete de Revitalização e Execução da Comunicação Institucional e Marketing da Administração (GRECIMA), de forma disfarçada, com um suposto intuito de reforçar o marketing junto às comunidades.

O Político classifica o cenário como negativo, porquanto condicionar a liberdade e o pluralismo na comunicação social e levar à instrumentalização das populações. “Existe alguma ilusão de abertura, (mas) quando os gastos desnecessários continuam a registar-se pelo país”, frisou Costa Júnior, para quem o Titular do Poder Executivo deveria prestar mais atenção às questões socio-económicas das populações, com destaque para a recuperação das vias secundárias e terciárias, garantindo a estabilidade económica e o desenvolvimento das comunidades rurais.

Para o constitucionalista Fernando Macedo, apesar de uma aparente abertura, o Estado angolano continua a ser “ditatorial”. Basta olhar, diz, para a questão da transparência nas contas sobre as reservas do pais, assim como o poder e a consequente liberdade dos médias. Entretanto, para ele, o estabelecimento de um verdadeiro Estado de direito e democrático, neste novo ciclo político, estará dependente das reformas profundas que devem acontecer no sistema de administração da justiça, tendo enfatizado os tribunais, sobretudo na eleição de juízes.

João Lourenço, general na reserva, de 63 anos, foi investido em Setembro do ano passado no cargo de Presidente da República de Angola, o terceiro que o país conhece desde a Independência em Novembro de 1975.