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Apenas 33 por cento das por vagas nos centros de

Apesar de elas serem o maior número da população angolana, com uma taxa de 52,7 por cento, de acordo com o Censo 2014, ainda assim são os homens que mais procuram oportunidades de trabalho nos centros de emprego, que, durante o período de 2013 à 2017, registaram mais de noventa mil ofertas de empregos

Texto de: Domingos Bento

entre 2013 e 2017, apenas 66mil e 438 mulheres solicitaram emprego nos mais variados centros de emprego espalhados pelo país, correspondendo assim a 33 por cento de um universo de 203 mil e 231 solicitações de emprego registados. No referido período, foram um total de 136mil e 793 pessoas do sexo masculino que solicitaram emprego naqueles centros públicos, representando assim 67 por centro da procura total. Durante esse período, os referidos centros registaram 91,246 ofertas de emprego e 87 mil e 71 colocações nas mais diversas áreas da actividade profissional, com os homens a liderarem a lista dos admitidos.

Em todo o país existe um total de 73 centros de emprego e empreendedorimo, sendo Luanda a província com o maior numero de instituições com 17 centros, seguida de Benguela que tem a seu dispor seis
unidades, Lunda-Norte (cinco), Uige (quatro), Cuanza-norte (quatro), Huambo (quatro), Cabinda (três), Bié (três), Huila (três), Cunene (três), Lunda-sul (três), Bengo (três), Cuanza-sul (três), Malange (três), Moxico (três), Kuando Kubango (dois), Namibe (dois) e Zaire (dois). Todos esses centros estão enquadrados no âmbito da implementação das políticas activas de emprego e o programa de revitalização, expansão e modernização dos centros de emprego. De acordo com António Agostinho, director-geral adjunto para a área do emprego do Instituo Nacional do Emprego e Formação Profi ssional (INEFOP), a criação destes centros teve como objectivo fundamental a intermediação da mão-de-obra nacional, registando os candidatos a emprego, as ofertas e a uma posterior colocação. “Quando um candidato que procura emprego, registado num dos nossos centros, tiver o perfi l exigido por uma determinada empresa, a colocação é directa caso haja vagas. E é também função do centro aconselhar as empresas no que diz respeito ao cumprimento da legislação laboral, ao pagamento da segurança social e outros aspectos ligados ao conjunto de actividade que a mesma empresa desenvolve”, explicou.

Orientação Para além da intermediação, António Agostinho fez saber que os centros de emprego, no âmbito da implementação das políticas activas de emprego, têm a responsabilidade de orientar profi ssionalmente os jovens sobres as actividades que podem escolher e aquelas que apresentam maior saída no mercado de trabalho. Neste aspecto, frisou, os sectores secundários e terciários da economia são os que dispõem de maior ofertas de vagas, com os jovens dos 18 aos 35 anos a liderarem o número de procura. “Entretanto dentro dos centros os jovens também são orientados a não depender única e exclusivamente das vagas. É preciso que eles próprios, os candidatos, desenvolvam actividades geradoras de rendimentos que possam também criar emprego.

Porque se o jovem tiver a formação profissional feita e ter dificuldade de ingressar no mercado de trabalho, o centro de emprego deve orientar a aderir um programa de emprendedorismo onde ele aprende a identificar as oportunidades de emprego”, esclareceu. Quitomene Joana, actualmente a trabalhar como formadora profi ssional, disse ter conseguido emprego por via de um dos centros de emprego.

Tal como frisou, foram mais de sete anos que aguardou para ser chamada, apesar de reunir todas as competências técnicas e profissionais para o exercício da actividade. Segundo explicou, antes de ter sido admitida, não acreditava que um dia fosse chamada por uma instituição porque sempre se mostrou céptica em relação aos centros de emprego. “Sempre pús na cabeça que para conseguir um emprego neste país, era preciso ter padrinho na cozinha.

Por isso é que nunca me interessei em consultar um centro de emprego. Mas hoje acredito que realmente funcionam. É preciso apenas confi ar nas suas capacidades”, atestou. É também pela oportunidade de emprego que Lourenço Manuel, natural da província de Malange, vem lutando.

No entanto, já lá vão mais de seis anos que o jovem se encontra desempregado, apesar de já ter distribuído inúmeros formulários a várias instituições. Formado em electricidade de construção civil, Lourenço afirma que trabalhou em pequenos projectos, que porém foram temporários e sem a devida valorização. Porém, para contornar esta situação, o jovem afirmou que apostou no empreendedorismo, por via da prestação de pequenos serviços, que têm servido como fonte principal de sustento quer para si quer para outras pessoas.

“Enquanto espero ser chamado, tento sempre me ajeitar de alguma forma. Infelizmente, somos muitos os que procuram emprego no país.

E não podemos estar dependentes apenas das chamadas das empresas. Temos sempre que puxar pela criatividade, para conseguirmos sustentar as nossas famílias”, frisou.

Empresas recrutam mais Segundo ainda António Agostinho, embora sejam entidades vocacionadas para o efeito, nem todas as ofertas de emprego são comunicadas aos centros de emprego.

As empresas, explicou, por via da lei 18b/92, também têm a prorrogativa de procederem ao recrutamento à porta, cabendo apenas aos centros de emprego fazer o devido registo. Neste sentido, o responsável ressaltou que as cifras de vagas divulgadas pelas empresas é muito superior às que passam pelos centros de emprego. No entanto, dados disponíveis apontam que, entre 2013 e 2017, as empresas efectuaram um total de 97mil e 308 colocações.

Agências privadas engrossam número de vagas

Por outro lado, para além das políticas públicas activas de emprego e o programa de revitalização, expansão e modernização dos centros de emprego, existem ainda as agências privadas de colocação que têm desenvolvido um papel importante no processo de selecção, recrutamento e colocação de candidatos à vagas de emprego, sobretudo de jovens.

Dados a que o oPAIS teve acesso apontam que, actualmente, encontram-se em funcionamento 270 agências privadas de colocação e emitidas 99 licenças de cedência temporária de trabalhadores. Estas agências, espalhadas por todo o país, funcionam como modalidades de intermediação entre a procura e a oferta de mão-de-obra exercido entre diferentes entidades dentre empresas privadas, ong´s e o Estado.

E assim, nos últimos cinco anos, as referidas agências registaram 12 mil e 284 pedidos de emprego, mil e 925 ofertas de emprego e mil 786 colocações. Para o director geral adjunto para a área do emprego do Instituo de Formação Profi ssional (INEFoP), António Agostinho, caso o país não estivesse a enfrentar a actual recessão económica, forçada pela queda do preço do petróleo no mercado internacional, o número de colocações devia ser maior.

Tal como esclareceu, se a economia do país não estiver no seu melhor momento acaba por infl uenciar na geração de emprego. “os empregos são gerados pela economia. Se de facto a economia não estiver bem, vamos registar difi culdades na criação e geração de empregos. Entretanto, o que nós temos dito é que os jovens podem e devem, através das ferramentas que recebem dos centros de formação, criar os seus próprios negócios e ajudar o país a crescer. É que se eles criarem o próprio negócio vão conseguir gerar renda”, defendeu.

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