SINPRoF considera ‘grave’ adaptações no concurso público da educação

Apesar das reclamações, o SINPRoF disse que não houve interferência política no concurso e que os resultados são os mais verdadeiros e transparente de todos os tempos

Texto de: Milton Manaça

O presidente do Sindicato Nacional de Professores (SINPROF), Guilherme Silva, declarou a OPAÍS que as adaptações no concurso público da educação, cujo apuramento definitivo foi tornado público na última Quarta-feira, 5, podem comprometer os objectivos do sector.

“Como é que um professor que fez Geografia e Historia está a ser colocado no ensino primário só porque teve positiva? Isso é grave. Ele não tem conhecimento de metodologias de ensino para monodocência”, disse. Guilherme Silva referiu que as adaptações não vão contribuir para a tão almejada qualidade de ensino e podem aprofundar ainda mais as debilidades que a educação no país apresenta.

O líder do SINPROF concorda com o MED no que diz respeito à mobilidade de professores que tiveram positiva, de um município para outro, e o apuramento dos candidatos com um mínimo de 10 valores. Contudo, afirma que a colocação de professores do primeiro ciclo para o primário não foi uma boa opção, tendo recordado que se continua a cometer os mesmos erros, sobre os quais alertaram no lançamento da reforma educativa.

Na sua opinião, o rigor deve assentar principalmente no ensino primário, por ser a base dos outros ciclos de ensino, razão por que não concorda com os ajustes que o Ministério da tutela fez para que o número de candidatos que foram afastados não fosse maior. “Não podemos fazer remendos na Educação, principalmente no ensino primário. Deste jeito não conseguiremos corrigir o que está mal”, frisou.

“Resultados mais reais de todos os tempos”

Apesar das críticas, Guilherme Silva disse que este concurso foi o mais transparente de todos anteriormente realizados no sector. O interlocutor disse mesmo que “os resultados obtidos são os mais verdadeiros de todos os tempos”.

Para ele, houve um nível de rigor aceitável, pois, no passado, a fraude era maior com a interferência política dos governos provinciais e outros gabinetes que infiltravam candidatos da sua conveniência, mesmo não reunindo os requisitos exigidos. Importa realçar que os candidatos foram submetidos a provas do modelo americano e um sistema de correcção electrónica com diversas equipas de acompanhamento nos centros de processamento de dados.

Dos dados definitivos divulgados, a província do Bié ficou com menos 402 vagas, sendo 139 no ensino primário, 121 no primeiro ciclo e 142 para o segundo ciclo, cifra esta que, segundo o director do Instituto Nacional de Formação de Quadros do MED, Isaac Paxe, será preenchida no próximo concurso.

O mesmo deve acontecer com a província do Zaire, que perdeu 355 lugares nos diferentes níveis de ensino, e a província de Malange que surge na terceira posição com 161 vagas não ocupadas. Luanda teve todas as vagas ocupadas, embora na primeira lista divulgada existam candidatos que foram admitidos com menos de 1 valor.

Nova ameaça de greve
Guilherme Silva acusou o MED de incumprimentos referentes ao recémaprovado Estatuto da Carreira dos Agentes da Educação e das negociações que culminou com o levantamento da última greve no sector.

Segundo o sindicalista, até ao momento não se está a fazer os devidos ajustamentos e acertos de categoria e poder-se-á criar um sistema de descontentamento caso o Governo enquadre os candidatos apurados, sem antes resolver o problema dos antigos professores.

o último trimestre de aulas pode estar comprometido, já que, de acordo com o nosso o interlocutor, o SINPRoF pretende paralisar as aulas em outubro para exigir o cumprimento dos acordos e do Estatuto.