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Carcaças em falta para a transformação de autocarros em centro de formação

O projecto desenvolvido por quatro jovens angolanos, conhecido por ‘Bus Center’, que visa transformar autocarros estragados em centro de formação tecnológica e bibliotecas, passa por dificuldades para conseguir carcaças para a sua transformação. Apesar disso, duas províncias já beneficiam do projecto

Texto de: Romão Brandão

Visto como uma plataforma de desenvolvimento social sustentável, focada na integração das Tecnologias de Informação e Telecomunicações para a realização de soluções alternativas para o fomento da educação, saúde, meio ambiente, agricultura e comércio, o Bus Center tem mudado a vida dos populares de Lucira (Namibe) e Porto Amboim (Cuanza- Sul).

Com o objectivo de resolver os problemas sociais, quatro jovens empreendedores angolanos, nomeadamente Hélio Alves, Alfredo Capitamolo, Wilson Caposso e Emília Dias, tiveram a ideia de criar o Bus Center Angola, também para colmatar o défice ou falta de inserção dessas plataformas (TIC) e serviços a população que por motivos vários não tem a oportunidade de crescer e beneficiar destes importantes mecanismos.

Segundo Emília Dias, co-fundadora do referido projecto, a principal dificuldade que têm tido é a de conseguir carcaças de autocarro para a transformação, neste caso, em centro de formação tecnológica e biblioteca.

“A empresa TCUL (Transporte Colectivo Urbano de Luanda) doou um autocarro e aguardamos pela cedência de outros. Neste momento temos procurado adquirir com fundos próprios, porque ninguém aceita doar sequer carcaças”, disse.

O primeiro autocarro transformado em centro funciona na localidade de Lucira, no Namibe, e foi comprado, sendo que o segundo foi doado pela TCUL. Este segundo autocarro foi entregue formalmente à Administração do Amboim, na semana passada, depois de transformado em centro.

Para a entrevistada, dada a repercussão positiva do projecto, muitas das pessoas a quem solicitam carcaças acham que têm muitos lucros e inflacionam o preço das carcaças. A outras empresas transportadoras enviaram cartas, mas não tiveram resposta até ao momento.

Assim, sem muito apoio, temse adiado a maneira mais barata, ecológica e mais rápida de inserir esta alternativa formativa a muitas das regiões do país. “Nós queremos ver um mundo mais educado e justo em oportunidades, sem desprimor do meio ou origem de onde cada indivíduo nasceu”, defende.

O primeiro Buscenter foi realizado com base em doações de empresas e privados que apostaram na iniciativa, por isso, Emília aproveitou a oportunidade para agradecer o apoio de todas as empresas e particulares que têm contribuído. Recentemente, por exemplo, receberam uma doação da Embaixada dos Estados Unidos da América em Angola, de 17 comsociedade putadores portáteis.

O projecto em si tem um pacto social muito forte, pois “colaboramos com equipas de empreendedores e entidades singulares que habitam na região na qual são remunerados e, no processo, aprendem um novo ofício. Também tem a componente ambiente de reaproveitamento de materiais em desuso, dando uma nova vida e eliminando assim o processo de degradação do meio ambiente”, explica.

O Bus Center está dividido em três partes (hardware e software e social). Levam às comunidades os cursos sobre o material de uso e os sistemas que os compõem (Internet, word, técnicas de teclado) para o desenvolvimento do capital humano; através da Internet, encurtam a necessidade de falta de livros académicos (para além da biblioteca que têm). Ainda no âmbito das telecomunicações têm cabines de acesso à Internet.

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