FNLA acusa militantes e imprensa de atentarem contra integridade física de Ngonda

Em causa, o facto de um grupo de idosos militantes da FNLA estar desde o dia 04 de Setembro concentrado defronte às instalações do Secretariadogeral, em Luanda, exigindo a renúncia do líder Lucas Ngonda

Texto de: Iracelma Kaliengue

A FNLA divulgou este fim de semana uma nota de esclarecimento na qual acusa os militantes e os órgãos de comunicação social de proferirem insultos e atentarem contra a integridade física do presidente do partido. A nota surge em resposta ao assunto relacionado com o facto de um grupo de idosos militantes da FNLA estar desde o dia 04 de Setembro concentrado defronte às instalações do Secretariado- geral, em Luanda, exigindo a renúncia do líder, Lucas Ngonda.

O documento informa que o presidente da FNLA, Lucas Ngonda, aceitou receber, em audiência, um grupo auto-denominado “comissão de manifestantes dos militantes da FNLA. Entretanto, acrescenta, no dia marcado, 4 de Setembro, constatou- se um aglomerado de pessoas, dentro e fora das instalações do partido, superior ao número apresentado pela mesma comissão para o encontro.

Segundo a nota, assinada pelo secretário-geral, Pedro Macombe Dala, este aglomerado de pessoas com atitudes agressivas “estava espalhado pela rua que dá acesso à sede Nacional e faziase acompanhar de vários órgãos de imprensa, proferindo insultos contra a direcção do partido, ameaçando atentar contra a integridade física do presidente”.

O documento informa ainda que, pelas atitudes e comportamento manifestado publicamente, concluiu-se que os objectivos dos manifestantes, cuja militância a direcção questiona, eram os de vandalizar as instalações do partido, pondo em causa a direcção.

“Assim se consumaria o desejo manifestado de destituir o presidente do partido de forma violenta, fora dos critérios do ordenamento jurídico angolano, que regula o funcionamento dos partidos políticos legalmente reconhecidos”, sublinha a nota.

“Diante deste quadro, o presidente suspendeu o referido encontro, uma vez que os objectivos manifestados pelos interessados não correspondiam à harmonia e ao aprofundamento de relações de fraternidade que seriam de esperar, com agravante de terem trazido os órgãos de comunicação social não convidados pela direcção do partido, uma vez que tratar-se-ia de uma discussão de questões internas do partido”, lê-se na nota.

A nota esclarece que as questões avançadas pelos manifestantes eram de índole social, relacionadas com o enquadramento dos antigos combatentes do ELNA (extinto braço armado da FNLA) na Caixa de Segurança Social das Forças Armadas, que, têm sido tratadas pelos órgãos do partido junto das instituições do Estado.

A título de exemplo, a nota refere que no último encontro com o Presidente da República, em Março deste ano, Lucas Ngonda apresentou um memorando sobre as questões pendentes, incluindo a problemática dos antigos combatentes da FNLA.

Entretanto, segundo a portavoz da comissão de manifestação contra Lucas Ngonda, Lucinda Roberto Augusto da Costa, o encontro foi marcado pelo próprio presidente da FNLA, na sequência de uma petição de 12 antigos combatentes (anciãos), inicialmente marcado para o dia 30 de Agosto, tendo como cabeça do grupo Manuel Baptista Fula Fula, um dos membros fundadores do partido.