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Marcos Victor: “Quero ajudar o 1º de Agosto a conquistar o tetra-campeonato”

Em entrevista concedida a O PAÍS, o coaching desportivo do 1º de Agosto, Marcos Patrício da Silva Victor, revelou o segredo do terceiro título consecutivo dos militares no Girabola Zap. O preparador mental como é tratado falou dos seus objectivos e da importância do coaching desportivo

Texto de: Isandra Capita

que é um coaching desportivo?

O coaching desportivo tem a função de usar metodologia, ferramentas e técnicas cientificamente comprovadas para ajudar os atletas a atingirem os seus objectivos. Mas prefiro dizer sempre que o trabalho de um coaching desportivo é idêntico a de um GPS.

Como assim?

Primeiro procuramos saber onde os jogadores estão, segundo é definir o ponto onde queremos ir e depois encontrar a solução para os desafios que o atleta pretende chegar, a que chamamos o plano de acção.

Quando é que começou a trabalhar como ‘coaching mental’ do 1º de Agosto?

Comecei a trabalhar em 2016. Na altura em que fui contactado pela direcção da equipa central das Forças Armadas A ngolanas, o clube passava por uma fase crítica. Podes ser mais claro? Enfrentava grandes problemas motivacionais por parte dos atletas, sendo que não vencia o Campeonato Nacional da primeira de futebol, Girabola, há dez anos.

O trabalho com os atletas é feito individual ou em grupo?

Na verdade, as sessões são feitas em grupo, ou seja, dois dias antes de um jogo. Ainda assim, cada jogador tem acesso a mim de forma individual. Há jogadores que têm mais dificuldades de expor os seus problemas durante a sessão colectiva e preferem procurar o coaching em particular.

A equipa técnica também participa da preparação mental?

Infelizmente os treinadores não participam, mas sim durante as nossas conversas nas sessões de treinos.

A preparação de um jogo do Girabola é diferente de uma prova internacional?

É sempre diferente, mas o objectivo é o mesmo. Sabemos que uma competição internacional tem outras exigências quer a nível competitivo, quer financeiro. Então, o objectivo é tirar a pressão do jogador e transformar a mesma em combustível que o torna mais forte.

Como era encarado o seu trabalho ao princípio?

Ora bem, no princípio a principal dificuldade foi a equipa técnica, ou seja, questionava a necessidade de contratar um preparador mental para os atletas. Os treinadores pensavam assim por conhecerem os jogadores e não viam a importância de ter um ‘coaching desportivo’ para motivar os atletas, se já faziam esse trabalho antes e durante cada partida.

Como convenceu a equipa técnica?

Com muito trabalho consegui mostrar aos técnicos a importância da minha presença no seio do grupo, porque os resultados começaram a parecer em campo. Aliás, fruto deste trabalho mental o 1º de Agosto é tri-campeão nacional e está engajada na Liga dos Clubes Campeões Africanos.

Podemos dizer que o Marcos Victor foi peça fundamental na conquista do “tri”?

O fundamental para sermos tricampeões não foi o coaching, foi o trabalho de toda a equipa técnica, mas um preparador mental faz toda a diferença. Trouxe um valor adicional que fez com que o 1º de Agosto seja visto como uma formação diferente das outras.

O 1º de Agosto é a primeira equipa que trabalha com coaching desportivo?

Não. No mesmo ano, trabalhei com a Selecção Nacional de futebol em sub-23 por apenas dois dias. É o único coaching desportivo a trabalhar em Angola? Como não temos um associação no país, não consigo dizer quantos somos e em que área estamos.

Consegue viver como coaching desportivo?

Actuamente vivo do coaching e das palestras, ou seja, claramente que dá, porque todas as profissões dão para viver dependendo do empenho e dedicação do profissional.

A formação de coaching desportivo pode ser feita em Angola ou só fora do país?

Em Luanda existe uma empresa brasileira que faz certificações de coaching desportivo. Qual é a sua meta? É ajudar o 1º de Agosto a sagrar-se tetra campão nacional do Girabola Zap 2019. Que este ano cheguemos à final e sejamos campões da Liga africana. Deixar um legado na formação central das Forças Armadas Angolanas.

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