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Apenas 22 % da população da Lunda-Sul tem acesso a electricidade Via e

Três dos quatro municípios da província não têm um sistema de fornecimento de energia eléctrica, enquanto noutros junta-se a falta de electricidade à ausência de sistemas de abastecimento de água

Texto de: André Mussamo, enviado a Saurimo

A província da Lunda-Sul acolhe mais de 600 mil habitantes e para fornecer de forma estável electricidade a esta população precisa, no mínimo, de 150 MW de potência, mas actualmente tem disponíveis apenas 17 Megawatts.

No dizer do director do Gabinete do Ambiente e Gestão dos Resíduos Sólidos, (departamento local que acomoda o sector de Energia e Águas), engenheiro Agostinho Piedade João, “graças à engenharia local ainda se pode ter na cidade o pouco que existe”.

“O senhor jornalista não passou a noite às escuras e teve água na torneira para tomar banho, porque localmente há um esforço enorme e temos contado com o apoio do Governo central”, atirou meio a brincar aquele responsável.

Mesmo sem querer dramatizar, o responsável pinta um quadro “negro” e culpa o facto de os projectos do sector serem de iniciativa e gestão do Governo central e a insustentabilidade da matriz energética local como as principais causa para o estágio que a província atingiu. Justificou que a subordinação central da maior parte dos projectos locais constitui-se num constrangimento, porquanto o Governo central tem de pensar para o país e com a diminuição da disponibilidade financeira compreende-se a complexidade da gestão do dossier.

Sobre a outra razão apontada, Piedade João argumenta que “a matriz energética actual na província está baseada nas soluções térmicas. Sabe-se que temos enormes dificuldades de fazer chegar os combustíveis a partir da capital do país. Saurimo dista 1010 quilómetros de Luanda. Acresce-se o mau estado das estradas e logo compreende-se o calvário que passamos”.

O responsável referiu que para a inversão da situação é preciso ter em conta o crescimento demográfico, a perspectiva do incremento da industrialização com a multiplicação de pólos de produção mineira e pensar-se no potencial agrícola que a região ostenta. O Leste é detentor de um potencial hídrico invejável que é desperdiçado. Dona de múltiplos rápidos e quedas de água, o Leste é, hipoteticamente, a região com o segundo maior potencial energético depois do Médio Cuanza.

Especialistas admitem que as hidro-eléctricas passiveis de serem construídas na região podem não se aproximar aos números de iguais infra-estruturas erguidas no maior rio do país, o Cuanza, mas, tendo em atenção a multiplicidade de oportunidades, o somatório poderia funcionar como pedra de toque para se dar início ao processo de redução do fosso existente entre “procura e oferta” de energia nas três províncias.

Continua a ser uma necessidade ingente a interligação da rede local com o sistema Norte, para que, no âmbito da projectada entreajuda entre os sistemas, o Leste possa beneficiar dos investimentos nacionais que estão a ser feitos pelo Governo central.

Com a água idem No que toca ao abastecimento do precioso líquido, o responsável revelou que o quadro lastimável se repete. Apenas 13% da população tem acesso a água tratada e processada. Saurimo está a ser alimentada por um sistema de fornecimento de águas construído para uma população estimada em 35 mil consumidores, mas actualmente acolhe mais de 400 mil habitantes.

O responsável refere que são necessários projectos locais para solucionar os problemas locais.

Ultimo dia do evento

O Conselho Consultivo do Ministério da Energia e Águas, que foi aberto ontem por um dos secretários de Estado, encerra hoje e espera-se que seja com a presença do titular da pasta, que tem estado ausente do encontro.

Segundo fonte da organização, “trabalhos de última hora” terão feito com que João Baptista Borges estivesse ausente no primeiro dia do evento, que, dentre várias acções, está a fazer o balanço das acções planeadas no ano passado. Várias províncias e empresas do sector fazem o balanço e apresentam a realidade local de cada uma delas.

Na hora do balanço sabe-se que o programa e recomendações deixadas pelo conselho consultivo anterior, realizado no ano passado na província do Namibe, não foram cumpridos nem em 50 %.

O grau de cumprimento foi de 43% e a questão que fica, e esperamos que seja respondida hoje, é: qual terá sido a principal razão para tão baixo grau de cumprimento?

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