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País pode reduzir em 50% importação de insumos

Através do calcário dolomítico, um minério natural existente em quantidade e que pode ser aplicado na agricultura, Angola poderá baixar os níveis de importação de insumos até 50% nos próximos três anos, considerou o director nacional dos Recursos Minerais, André Buta

Texto de: Brenda Sambo

De acordo com o engenheiro André Buta, que falava ontem, em Luanda, no final do Workshop sobre “O uso do calcário dolomítico para a recuperação e estabilização dos solos em Angola”, existe no país uma grande quantidade desse minério que possui inúmeras vantagens não só por ser natural mas também por não precisar de ser utilizado com um outro insumo.

Pelo facto, avança que os niveis de importação poderão cair em 50%, nos próximos três anos. Tudo numa altura em que Angola importou, nos últimos anos, quantidade superior a 140 mil toneladas, que entraram no país desde 2016.

A outra vantagem, mencionou, é que não cria problemas ao solo, ao contrário da maior parte dos produtos fertilizantes que contêm produtos químicos e que pode causar danos às terras de cultivo durante a sua utilização. Segundo o responsável, apesar da existência do calcário dolomítico, os níveis de produção do insumo ainda são muito baixos, uma vez que ainda não há o hábito de fazer o uso do referido minério na agricultura.

“Temos o calcário dolomítico a nível de todo a região do litoral, mas os níveis de produção ainda são muito baixos”, disse. Referiu ainda que, apesar de existirem outras empresas que produzem minérios, dados do Ministério dos Recursos Naturais e Petróleo indicam que apenas uma empresa é que está registada e se dedica inteiramente à produção do mineiro dolomítico. André Buta sublinhou ainda que, grande parte das empresas que comercializam o pó de calcário são direccionadas ao sector da construção civil.

O responsável classifica o calcário dolomítico como um minério de extrema importância que poderá ser muito utilizado nos próximos anos, augurando que, deste modo, o país poderá atingir as metas previstas no Plano de Desenvolvimento Nacional (PND). Segundo ele, o calcário dolomítico escasseia nas províncias do leste, com realce para o Cuando- Cubango, região que necessita deste produto, por ser muito arenosa. “Devido à sua posição geográfica, as províncias situadas na região tem mais necessidade do minério.

Todavia, é possível que esse mineiro chegue até lá desde que as vias de comunicação estejam em condições”, admitiu. Três laboratórios poderão surgir Na sequência da sua intervenção, André Buta avançou que, actualmente, o país conta apenas com dois laboratórios de análises, um da Faculdade de Ciências da Universidade Agostinho Neto (UAN), e o laboratório da Geoangol onde são feitos alguns, insuficientes para o tratamento do minério.

Apesar disso, avançou que dentro do Plano de Geologia estão previstas a construção de três laboratórios de análises nos próximos tempos, sendo um na província de Luanda, na Centralidade do Kilamba, outro na província do Lunda-Sul, propriamente na sua capital Saurimo, o terceiro na província da Huíla, concretamente no município de Quilengues. “Com esses laboratórios em funcionamento, o país não terá problemas em fazer análises deste pó futuramente”, realçou.

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