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Angola regista 60 novos casos da doença do sono em oito meses

A província do Uíge é a que registou maior número de casos da doença, com um total de 37 ocorrências

Por: Domingos bento

Nos últimos oito meses deste ano, o país registou 60 novos casos de Tripanos somí a se s, conhecida também como doença do sono, segundo o director adjunto do Instituto Nacional de Combate às Tripanossomíases, Amadeu Dala.

Uíge, conforme revelou a OPAÍS, é a província com maior número de casos da doença, com 37 ocorrências, seguida do Cuanza-Norte, com 15, Zaire, com cinco, e Bengo vem na última posição com três casos. De acordo com o médico Amadeu Dala, esta quantidade causa preocupação nacional, porque, nos últimos anos, Angola registava, anualmente, menos de 35 casos da doença.

Porém, com esse aumento acima dos 50 por cento, o responsável disse que, nos próximos tempos a sua instituição vai reforçar as campanhas de combate e sensibilização nas zonas mais vulneráveis, tendo em conta que o país assumiu o compromisso com a Organização Mundial da Saúde (OMS) de, até 2030, eliminar as tripanossomíases.

O médico fez saber que os 60 casos diagnosticados no decurso destes oitos meses já representam um aumento de três vezes mais do que o número de doentes registados durante todo o ano de 2017, em que foram diagnosticados apenas 18 casos novos da doença.

“Os dados reflectem a relevância do trabalho das equipas móveis de prospecção activa, através das quais foram diagnosticados 39 casos do total de 60 casos, enquanto os outros 21 casos foram diagnosticados em passivo nos Centros de Diagnóstico e Tratamento”, explicou.

Segundo Amadeu Dala, a nível da província do Uíge a situação é mais crítica nos municípios de Quitexe, Bembe e o município sede da província. Já na província do Cuanza-Norte, a preocupação recai para os municípios da Banga, Ambaca, Dondo, Lucala, Ndalatando e Samba Cajú, enquanto no Zaire, das zonas de maiores riscos constam o Cuímba e Mbanza Congo.

Continuar a luta

Apesar do aumento de casos, Amadeu Dala frisou que o Instituto de Combate e Controlo das Tripanossomíases (ICCT), enquanto órgão responsável pelo combate à doença do sono, continuará a intensificar as suas acções com vista a atingir a meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) que prevê, até 2030, eliminar a tripanossomiase.

Por isso, explicou, é fundamental que se aposte cada vez mais na educação cívica, na investigação e no combate cerrado à mosca causadora da doença, denominada Tsé-Tsé, por via de campanhas de fumigação, sobretudo nas zonas mais endémicas. Tal como lembrou, nos anos passados o país registava elevados casos da doença, sendo que em 1998 a cifra chegou a atingir os 8 mil e 275 casos.

Estes registos chegaram a colocar Angola como o segundo país do continente com o maior número de registos da doença. “Fruto das suas actividades através do envolvimento do Governo Angolano, foi possível reduzir a incidência da doença do sono de 8 mil e 275 casos novos para menos de 35/ ano.

Com o aumento registado nos últimos meses, vai nos obrigar a redobrar as nossas atenções porque temos compromissos internacionais para cumprir. E acreditamos que vamos conseguir obedecer”, enfatizou.

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