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Hospital de Malanje esclarece as causas da morte de João Dala

“O paciente já apresentava risco de vida. Ainda que no pós-operatório sobrevivesse, ele viveria com dificuldades fisiológicas”, declarou o director clínico do Hospital Regional de Malanje (HRM), Jacob Lenvu.

Texto de: Miguel José, em Malanje

O médico Jacob Lenvu disse, em exclusivo ao jornal OPAÍS, que João Alfredo Dala, 45 anos, deu entrada na sua instância hospitalar, onde acabou por falecer, no dia 1 de Setembro de 2018, pelas 17 horas 30 minutos, no bloco operatório, quando estava a ser submetido a uma intervenção cirúrgica.

João Alfredo Dala, natural de Malanje, esteve entre os responsáveis da Igreja Adventista do Sétimo Dia que foram condenados pelo Tribunal Provincial de Luanda por, alegadamente, terem raptado e torturado o pastor Daniel Cem, em 2015.

Durante as secções de julgamento, João Alfredo Dala disse ter sido torturado por efectivos do Serviço de investigação Criminal (SIC).

No entanto, o médico Jacob Lenvu disse que o paciente queixava- se de dor abdominal intensa e, por isso, o médico que o observou, durante as manobras preliminares, ao se deparar com um abdómen doloroso e com defesa muscular, na apalpação superficial, ordenou o seu internamento no Banco de Cirurgia, em face da gravidade.

Na sequência, o médico colocou a hipótese diagnóstica de uma ‘peritonite aguda’ (inflamação da membrana peritonial, responsável pela cobertura dos órgãos das vísceras abdominais).

Durante a cirurgia, diz o entrevistado, foram retirados do abdómen do malogrado quatro litros de pus. Daí que a equipa médica, no sentido de saber as causas, constatou um conjunto de anomalias no intestino delgado, com a presença de muita ‘aderência’ (atrofia ou incapacidade de circulação intestinal) e ‘necrose’ (morte dos tecidos do intestino delgado) e, também, com um ‘apêndice necrosado’.

“Parecendo assim, o paciente já apresentava risco de vida. Ainda que no pós-operatório sobrevivesse, ele viveria com dificuldades fisiológicas”, sublinhou o director clínico causa da morte Indagado se causa da morte de João Dala teve como origem as sevícias a que alegadamente foi submetido por efectivos do SIC, o médico Jacob Lanvu disse que para se aferir tal hipótese requeria um laudo médico-legal, porquanto a família, logo após o falecimento do seu ente, devia solicitar imediatamente a autópsia.

Entretanto, no relatório de diagnóstico final do cirurgião e do anestesista que procederam à operação, não há nada que indica que a morte do paciente tenha sido originada por qualquer violência física. De forma resumida, Jacob Lanvu descartou essa possibilidade, alegando em função do diagnóstico médico-cirúrgico e anestésico.

Explicou ainda que no relatório de diagnóstico consta que morreu de uma complicação de ‘peritonite aguda’ por uma ‘apendicite’ porque, de contrário, teria sido encontrado, obrigatoriamente, processo inflamatório de certos órgãos abdominais e pélvicos, bem como certas rupturas em vasos de pequenos ou maiores calibre, com a presença de sangue.

Sustenta que as ‘peritonites’, em Angola, as mais frequentes podem ser de origem bacteriana, como ocorrem em casos de complicações de ‘febre tifóide’ mal tratada ou não tratada. De outro modo, o indivíduo pode desenvolver uma ‘peritonite’, traumática ou pós-tramáutica, em consequência de ‘trauma abdominal’ por acidente ou espancamento.

“As peritonites de causa traumática, do ponto de vista semiológico-cirúrgico, têm uma especificidade (…).

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