DNVT com ‘mil e um’ problemas

Não há cartas de condução. Os livretes não são emitidos há mais de dois anos. Há uma semana que se regista instabilidade no provedor de Serviço Tecnológicos de Apoio ao Cidadão, vulgo conta STAC, uma ferramenta indispensável para quem quer tratar documentos

Texto de: Miguel Kitari

É público que a Direcção Nacional de Viação e Trânsito (DNVT) não tem estado a emitir, de um tempo para cá, livretes e cartas de condução. Por isso, muitos cidadãos se têm deslocado, com intervalo de três meses, às instalações da DNVT, localizadas um pouco por Luanda, com realce para o SIAC de Talatona, onde a enchente não faz acreditar na simplificação dos processos, como se propala.

Para agravar ainda mais o quadro, desde a semana de 10 de Setembro que não há sistema para que os cidadãos possam renovar a carta de condução. “Estou nesta luta desde Sábado, 15 de Setembro, e até hoje, 21, nada foi feito. É muito chato termos que deixar o trabalho, em diversas ocasiões, para tratar um documento e, nada feito”, desabafou, José Miguel, que já tem a sua carta de condução caducada. Para ele, “não há nada simplificação. As pessoas falam muito na televisão, mas na prática é tudo ao contrário, com a agravante de não explicarem as razões”, lamentou.

Na mesma condição está Estanislau Maurício. Este tem o seu livrete provisório (verbete) em mau estado de conservação e, até ao momento em que falou com OPAÍS, não tinha uma resposta positiva, facto que já dura há três anos. É de opinião que alguém tem de pôr ordem na Direcção Nacional de Viacção e Trânsito, porque vê que “brincam com os cidadãos”. Lamentou ainda o facto de muitos dos agentes não prestarem esclarecimentos devidos, ao ponto de tratarem mal as pessoas que precisam de informação.

“Há pessoas muito bem-educadas, mas isso só não basta. E perante a frustração do cidadão às vezes não sabem como explicar”, reconheceu. Acrescentou que sempre teve boas referências do atendimento no SIAC – Talatona, mas a verdade é que não está nada simplificado. O que aconteceu, segundo ele, é apenas a integração dos serviços num mesmo local, e nada mais. “Os processos aqui são muito burocráticos.

Por exemplo, para renovar uma carta de condução, uma pessoa deve dar cinco passos antes de tirar as impressões digitais, incluindo passagens pela AGT e Banco de Poupança e Crédito. São muitos passos”, lamentou. Apurámos ainda que os problemas na DNVT não ficam apenas pelo atendimento no SIAC em Talatona. Na última semana, a quebra do sistema foi geral, faltando capacidade de resposta.

De acordo com uma fonte conhecedora do assunto, há muitos processos extraviados naquela direcção, razão por que muitos utentes recebem telefonemas daquela instituição, no sentido de regularizar a sua situação. Fonte da DNVT, que falou a OPAÍS sem se identificar, admite que “este problema pode estar relacionado com dívidas da instituição para com a empresa prestadora de serviço. Caso contrário, os responsáveis já teriam tomado uma medida”, disse.

Diz ainda que, apesar de muitas reclamações, nada é feito para se alterar o quadro. Enquanto isso, a culpa, como se diz popularmente, “morre solteira”, sem que ninguém na DNVT seja responsabilizado pela instabilidade do sistema e pelo mau atendimento do call center.

Prestador de serviços sem qualidade?

O problema, segundo apuramos, está na empresa contratada pela DNVT, que não consegue honrar o seu papel. “A empresa gestora da conta STAC tem pessoal mal formado, que não consegue prestar informação de forma adequada”, sugeriu, fonte do SIAC. Estes intervêm quando os técnicos da DNVT, treinados para o efeito, estão ausentes, como foi o caso da última semana, em que o SIAC Talatona ficou sem ninguém para prestar apoio aos utentes.

“E este problema que a DNVT enfrenta é por culpa dos seus próprios responsáveis. Avisamos que o processo de migração não estava a ser muito bem feito. A Direcção Nacional de Identificação, esta sim, fez uma transição muito bem conseguida, seguindo todos os passos”, avançou, fonte do SIAC.

DNVT faz silêncio

No sentido de cruzarmos os factos, como orientam as normas, contactamos o porta-voz da Direcção Nacional de Viação e Trânsito, Angelino Serrote. Ao telefone, aquele oficial da Polícia submeteu-nos ao seu superior, no caso o comissário Orlando Bernardo. Contactado, Orlando Bernardo disse-nos que quem deve falar sobre este assunto é Angelino Serrote. Assim, ficamos sem nenhum pronunciamento da DNVT até ao fecho da presente edição