Duas crianças queimadas em Bolongongo morrem em Luanda

Morreram duas das dez crianças de Bolongongo vítimas de fogo florestal. Evacuadas para Luanda, uma morreu no Neves Bendinha e outra na Girassol. Sete continuam internadas, três nos cuidados intensivos

A ministra da Acção Social, Família e Promoção da Mulher Victória da Conceição, e o governador de Luanda, Adriano Mendes de Carvalho, constataram no Sábado, 22, ograu de evolução da saúde das crianças vítimas de queimaduras provenientes do Município do Bolongongo, Província do Cuanza-Norte, que se encontram internadas no Hospital Neves Bendinha (HNB) e na clínica Girassol (CG).

A delegação foi recebida no local pela directora-geral do Hospital Neves Bendinha, Lídia Dembi, que informou aos visitantes sobre o estado de evolução das crianças aí internadas.

Duas das nove crianças não resistiram aos ferimentos e morreram, sendo uma no Hospital Neves Bendinha e a outra na clínica Girassol. No Sábado, o governador de Luanda orientou a sua equipa a apoiar as famílias das duas crianças falecidas na transladação dos corpos para o referido município, o que aconteceu na manhã deste Domingo, 23.

Actualmente, continuam internadas 7 crianças, das quais, 3 no Banco de Urgência do Hospital Neves Bendinha, outras 3 na unidade de cuidados intensivos da clínica Girassol. A sétima apresenta melhorias significativas, mas continua a ser acompanhada pela equipa médica do HNB.

A ministra da Acção Social, Família e Promoção da Mulher, durante a visita, orientou os profissionais do INAC a cadastrarem as famílias das vitimas e outras que se encontram em situação de vulnerabilidade para que possam ter acesso aos apoios necessários, no quadro da Municipalização da Acção Social, projecto piloto lançado em 6 municípios de três províncias do país, nomeadamente Uíge, Moxico e Bié.

Victória da Conceição também visitou uma menor de três anos de idade, vítima de queimaduras, desnutrida e abandonada pelos próprios familiares numa das enfermarias do HNB. Ainda no Hospital Neves Bendinha, a ministra Victória da Conceição e o governador Adriano Mendes de Carvalho mantiveram um encontro com as famílias das crianças vítimas de queimaduras para apurar a veracidade dos factos ocorridos no dia 17 de Setembro no bairro Balamos, a 35 quilómetros da sede do município do Bolongondo, no Cuanza-Norte.

Fogo posto

Dez crianças, com idades compreendidas entre oito e 13 anos, foram vítimas de queimaduras, a 17 de Setembro, de primeiro, segundo e terceiro graus, no bairro Balamos, situado a 35 Quilómetros da sede municipal de Bolongongo, província do Cuanza-Norte.

O incidente, narrou o Jornal de Angola na edição do dia 21, ocorreu quando as crianças procuravam “Jinguenga ” na mata, um produto alimentar muito consumido na localidade. Os petizes foram surpreendidos pelo fogo ateado por um grupo de adultos a mando do soba grande da região, com a finalidade de se preparar a terra para o cultivo, uma situação habitual nesta época do ano.

Como o capim na área estava totalmente seco, o fogo foi se alastrando cada vez mais até que as crianças se viram cercadas pelas chamas. Sem opção de fuga tentaram proteger-se numa vala, mas o fogo foi ao encontro delas. Eva António, de nove anos de idade, uma das vítimas, teve queimaduras ligeiras: Disse ao Jornal de Angola que não se apercebeu quando a mata começou a arder. “Ficamos encurralados, sem podermos fugir.

Corremos em direcção a uma vala onde também existia capim seco e o fogo chegou até lá”, disse. O director clínico do Hospital Provincial do Cuanza-Norte, Inácio Francisco, informou que oito vítimas apresentavam queimaduras graves do segundo e terceiro graus e careciam de cuidados específicos, foram transferidas de helicóptero das Forças Armadas para o hospital Neves Bendinha, em Luanda.

Acrescentou que todos os envolvidos deram entrada no banco de urgência do Hospital Central de Ndalatando, com queimaduras até ao terceiro grau e foram socorridos pelos especialistas do corpo de primeiros socorros em serviço. O governador provincial do Cuanza-Norte, José Maria, que visitou as crianças no hospital, disse que o Governo está disponível para apoiar os familiares das vítimas.