Artes: Exposição de Mapplethorpe em Serralves recebeu seis mil visitantes em quatro dias

A exposição dedicada ao fotógrafo robert Mapplethorpe, no Museu de Serralves, no Porto, que motivou a demissão do director artístico, recebeu desde a sua inauguração, na quinta-feira, cerca de 6 mil visitantes

O director artístico do Museu de Arte Contemporânea de Serralves, João Ribas, apresentou na Sexta-feira, 21, a sua demissão, porque “já não tinha condições para continuar à frente da instituição”, afirmou o próprio ao jornal Público.

Segundo o mesmo jornal, a demissão surge depois de a administração ter limitado a maiores de 18 anos uma parte da exposição dedicada ao fotógrafo norte- americano Robert Mapplethorpe, comissariada por Ribas e ter imposto a retirada de algumas obras com conteúdo sexualmente explícito.

À entrada de uma das salas da exposição está uma placa com a indicação: “Dado o carácter sexualmente explícito de obras expostas nesta área, o acesso à mesma é reservado a maiores de 18 anos e a menores acompanhados dos respectivos representantes legais”. Contudo, num primeiro aviso, lia-se afixado na porta: “Alertamos para a dimensão provocatória e o carácter eventualmente chocante da sexualidade contida em algumas obras expostas.

A admissão nesta sala está reservada a maiores de 18 anos”. Segundo o comunicado enviado no Sábado, o Conselho de Administração da Fundação de Serralves afirma que “não retirou nenhuma obra da exposição”, composta por 159 fotografias, “todas elas escolhidas pelo curador”, João Ribas.

A administração acrescenta ainda que “desde o início a proposta da exposição foi apresentar as obras de cariz sexual explicito numa zona com acesso restrito”, afirmando que considerou “que o público visitante deveria ser alertado para esse efeito, de acordo com a legislação em vigor”.

Na sequência desta situação, no Domingo, dezenas de pessoas manifestaram-se para exigir a demissão do Conselho de Administração da Fundação de Serralves. Em reacção ao protesto, Isabel Pires de Lima, em representação do Conselho de Administração da Fundação, considerou surpreendente o processo de contestação à presidente da instituição, Ana Pinho, dizendo não haver motivos para a demissão da administração.

Fonte: Jornal de Notícias