Vencedores do Prémio de Literatura Infanto-juvenil “Quem Me Dera Ser Onda” recebem prémios

O concurso direccionado aos estudantes dos 13 aos 17 anos, distinguiu os jovens João lukombo Júnior, de 15 anos, da província do Zaire, Amélia Torres, de 16, e Mauro rosa, de 17 anos, ambos da província de luanda

Texto de: Augusto Nunes

Foram premiados esta Segunda-feira, no Jango da União dos Escritores Angolanos, os três vencedores da VIII Edição do Prémio de Literatura Infanto-juvenil “Quem Me Dera Ser Onda”, em cerimónia presidida por Carmo Neto, secretário-geral da UEA, maior casa das letras do país. Com a obra “O Sonho do Velho João”, o jovem João Lukombo Júnior, 15 anos, aluno da 10ª Classe, inscrita na Escola Liceu Eduardo José”, em Kuimba, província do Zaire, sagrou-se vencedor desta edição.

Segundo o membro do júri, o texto espelha a criatividade e a temática veicula valores aspectos da Cultura: tradições e crenças. Em segundo lugar ficou Amélia António Torres, 16 anos, aluna da 11ª Classe, com a obra “O Coelho Resmungão” inscrita na Escola do Ensino Secundário 17 de Dezembro, na província de Luanda.

A narrativa desta obra convoca o imaginário que revela o diálogo entre o autor e mundos que testemunham a presença da mentalidade infanto-juvenil. Mauro da Rosa, 17 anos, aluno da 9ª Classe, inscrito na Escola Nº 1259, Capolo, província de Luanda, é o 3º classificado com a obra “A História de Um Menino que Não Gostava de Estudar”.

A prosa constrói uma lição apropriada para veicular valores sociais em que se devem cimentar comportamentos de crianças e jovens num país em busca de rumo para o desenvolvimento, tal como Angola. João Lukombo vencedor desta edição teve como prémio 975 mil Kwanzas. Além do galardão, coube-lhe à semelhança do 2º e 3º classificados, a edição do livro pela União dos Escritores Angolanos.

A 2ª colocada do concurso, Amélia Torres, levou como prémio 585 mil Kwanzas e Mauro da Rosa, o 3º classificado, 390 mil Kwanzas.

Ao intervir no acto, o secretário-geral da União dos Escritores Angolanos, Carmo Neto, recordou que o Concurso Literário “Quem Me Dera Ser Onda” já está inscrito na história das manifestações culturais de Angola e no fim de cada ano escolar, os actos de outorga de prémios aos alunos vencedores têm evidenciado uma aproximação gradual entre os resultados, e os propósitos que presidiram ao lançamento do concurso. Salientou que as primeiras edições registaram, em quantidade, um excesso de textos desajustados às exigências impostas pelo regulamento do concurso, sobretudo em termos de qualidade, e poucas eram as propostas de escritos elegíveis para premiação.

As sucessivas realizações demonstraram que, apesar da ligeira diminuição da quantidade, a maior parte de produções escritas dos alunos concorrentes está a revestir-se de elementos estruturais aceitáveis para textos cuja origem é atribuível a autores das faixas etárias previstas no regulamento.

Carmo Neto apontou, entre os elementos estruturais já referenciados a simplicidade da linguagem; a brevidade e concisão da narrativa; a presença ingénua da fantasia; O desfecho moralizante que exprime o nível da educação do berço e expõe a visão crítica dos alunos em relação à crise de valores na sociedade angolana e no mundo globalizado. Esta mudança da perspectiva de construção textual deve-se ao excelente trabalho de explicação dos objectivos do Concurso junto dos alunos, mérito que no seu entender, cabe aos parceiros, nomeadamente as instituições público – privadas de ensino e o respectivo organismo de tutela, o Ministério da Educação e os órgãos representativos deste nas províncias.

O também escritor considerou a prática regular da leitura e da escrita como factor primordial para o desenvolvimento intelectual das crianças e dos jovens de modo a estimular a sua imaginação e criatividade, potenciando a aquisição de competências e de valores morais e de cidadania.

Sublinhou que o Prémio de Literatura Infanto-juvenil “Quem Me Dera Ser Onda” é um concurso focado no fomento do hábito de leitura e da escrita nos jovens, assim como na comunidade escolar de forma pedagógica e cultural. Já o patrono do concurso, o escritor Manuel Rui Monteiro considerou os professores, educadores, escritores e jornalistas como entidades que devem cada vez mais ajudar a desenvolver a produção literária juvenil, promovendo eventos mais nacionais.

Entre emoção, lágrimas e letras, a investigadora e professora de literatura brasileira, Daiana Nascimentos dos Santos, transmitiu a sua experiência na organização de concursos literários direccionados às crianças e aos jovens.

Momento cultural

A cerimónia de outorga do prémio foi animada pelo talentoso Duo Canhoto, que brindou os presentes com as memoráveis canções Sodad, de Cesária Évora, ‘M Cria Ser Poeta’, morna, um tema original do também compositor cabo-verdiano, Paulino Vieira. A animação prosseguiu com as canções, Deixa a Vida Me Levar, do compositor brasileiro Zeca Pagodinho interpretada em língua nacional Umbundu, Mboio e tantos outros temas.

À festa juntou-se também o grupo de capoeira Volta ao Mundo, comandado pelo Mestre Tubarão e os Meninos do Nzoji que interpretaram os temas Os Meninos do Huambo, também conhecida Os Meninos à Volta da Fogueira, de Manuel Rui Monteiro e Muxima.

O acto foi presenciado pelo Presidente do Conselho de Administração do Banco SOL, Coutinho Nobre Miguel, a Presidente da Fundação SOL, Tânia Garcia, estudantes, escritores, professores do e do público. O galardão O concurso de âmbito nacional promovido pela União dos Escritores Angolanos (UEA) em parceria com o Ministério da Educação, conta com o patrocínio da Fundação SOL.

É destinado aos estudantes dos 13 aos 17 anos, visando promover a leitura, a escrita criativa das crianças e dos jovens e proficiência em língua portuguesa, estimulando as instituições de ensino geral a melhorarem a qualidade da aula do português como veículo de comunicação, de exercício de cidadania, bem como do enriquecimento do património imaterial angolano.