Políticos fazem balanço positivo da governação de João Lourenço

Um ano após a investidura do novo Presidente da República, João Lourenço, saído das eleições gerais de Agosto de 2017, ganhas pelo MPLA com uma maioria qualificada, políticos, membros da sociedade civil organizada e igrejas fazem balanço positivo deste primeiro ano de governação no seu primeiro mandato de cinco anos

Texto de: José Dias, Ireneu Mujoco
e Constantino Eduardo

Para o vice-presidente da UNITA, Raúl Danda, o Presidente João Lourenço, neste primeiro ano de governação desde a sua tomada de posse a 26 de Setembro de 2017, tem estado a dar alguns passos no sentido de transmitir a ideia da necessidade de se fazer um país diferente, onde se combate a corrupção e outros males e onde exista a transparência.

“Tivemos uma governação de 38 anos, quase 39, do ex-Presidente José Eduardo dos Santos no poder. Hoje, um novo Presidente assumiu o poder, o que significa que houve uma mudança. O facto é que o Presidente João Lourenço está a fazer um bom governo”, frisou.

Para si, a actuação do Presidente João Lourenço , ao exonerar certas figuras, e os sinais de combate à corrupção com a detenção de altos dirigentes e membros do seu partido, do qual é agora presidente, é uma demonstração de coragem da sua parte.

“Há muitas pessoas que estão a ser constituídas arguidas e presas que pertencem ao partido no poder ou que fizeram parte do Governo. Isso é já uma demonstração de coragem da sua parte”, sublinhou. Entretanto, disse haver ainda um caminho longo a percorrer nessa mudança e a necessidade de se ir mais a fundo no que concerne a resolução dos problemas dos angolanos, em responder questões básicas da vida das populações por via de uma melhor distribuição da renda nacional para que todos sejam beneficiários desta mudança.

A necessidade de se promover cada vez mais uma maior abertura na imprensa, a fiscalização das acções governamentais são apontadas pelo político como aspectos a ter em conta nos próximos tempos, chamando a atenção, exemplo, para a questão da transmissão das sessões parlamentares, há muito defendida pela Oposição.

“Queremos uma imprensa mais aberta, uma fiscalização mais acutilante das acções do Governo, só para dar um exemplo, as sessões parlamentares, quer na especialidade, quer na generalidade, deveriam ser do domínio público, deveriam ser transmitidas. É uma obrigação.

Enfim, vamos ver o que acontece”, frisou. Raúl Danda disse que a despartidarização das instituições, sempre defendida pelo seu partido, está a ganhar corpo quando João Lourenço, nos seus pronunciamentos, esclarece que o critério de avaliação de um cidadão não deve ser a cor partidária, mas o facto de ser angolano.

“Vamos ver, uma coisa são as palavras, porque em relação ao combate à corrupção o próprio ex- Presidente José Eduardo dos Santos já o dizia, mas a verdade é que nunca vimos nesse combate ir-se a fundo tal como se está a ir agora.

O princípio é bom, é óptimo, este é um ponto de vista que foi sempre defendido pela UNITA”, frisou. André Mendes de Carvalho “Miau”, vice-presidente da CASA -CE Para o vice-presidente da CASA- CE, neste primeiro ano de governação, apesar de ser ainda cedo para avaliações, o país regista uma mudança significativa.

“Em resumo, diria que o Presidente João Lourenço preparou o terreno, plantou a semente na terra, agora estamos à espera que ela germine”, disse. Considera positivo João Lourenço defender o facto de se ser angolano como critério primordial entre as pessoas e não a cor partidária.

Segundo ele, João Lourenço tem dado um novo impulso na governação ao defender como bandeira o combate à corrupção. “Foi ele quem levantou a bandeira do combate à corrupção, da tolerância zero. Por isso é que estamos a dizer que o Presidente preparou a terra, plantou a semente e agora estamos à espera que ela germine”, disse o político. Segundo Miau, um ano é ainda muito pouco para se ver frutos daquilo que se pretende, que não vai ser fácil.

“A nossa missão é dar apoio àquilo que se fez de bem e condenar o que estará a ser mal feito”, sublinhou. Rui Malopa, secretário-geral do PRS Por seu turno, o secretário-geral do Partido de Renovação Social (PRS), Rui Malopa Miguel, disse que neste primeiro ano de exercício do Presidente João Lourenço tem-se assistido a um ensaio visando colocar Angola em marcha, no quadro das suas promessas aos angolanos.

“Estamos lembrados que, por altura da tomada de posse, ele prometeu combater a corrupção, a impunidade e todos aqueles vícios que a governação anterior trouxe para o país e estamos em crer que, de acordo com os últimos acontecimentos, dá-nos a ideia de que, de facto, quer colocar em marcha aquilo que ele se propôs executar”.

Malopa disse não haver ainda um cumprimento integral destas promessas, mas um passo neste sentido. Reconheceu que neste contexto alguma coisa está a ser feita e que o país poderá, futuramente, conhecer outros desenvolvimentos ou caminhos que possam contribuir na melhoria das condições de vida dos angolanos.

Sobre a despartidarização das instituições, elogiou o facto de o Presidente da República, como líder do MPLA, defender como denominador comum a angolanidade em detrimento da cor partidária.

Disse esperar que o Presidente da República assuma de facto o compromisso que ele fez com o país e com os angolanos que seja critério de ascensão a cargos públicos a competência, e não o compadrio, ou militância em alguma formação política, frisou.

Para este momento, defendeu a necessidade de se arregaçar as mangas, quer para os que estão no poder, que governam, quer para a sociedade civil e os partidos políticos, visando a construção de um projecto inclusivo no país.