Jovem acusado de matar o irmão por este o ter roubado

O cidadão João Francisco, de 30 anos, detido na Divisão do Cazenga, está a ser acusado de ter causado a morte (por asfixia) do seu irmão mais novo, por este o ter repetidas vezes roubado. A família pede que o mais velho seja libertado pelo facto de o mais novo ser reincidente no mundo do crime

O município do Cazenga, bairro do Antonov, registou um caso de repressão (que alguns podem interpretar também como justiça por mãos próprias) que terminou em morte. Cansado de ser roubado pelo próprio irmão, o cidadão João Francisco decidiu espancá-lo e de seguida amarrálo dentro de casa.

Conta a mãe, Helena Luís António, que a vítima que em vida se chamou Pedro Francisco, de 23 anos, antes vivia na Barra do Dande, tendo saído daquela localidade por ter causado um problema grave para a família, resultante dos roubos que perpetrava naquele bairro, bem como em lutas com outros jovens. “É um filho desorientado, desistiu da escola na 4ª classe e, para além de ser assaltante, faz o uso de bebidas alcoólicas e fuma liamba”, disse o irmão mais velho, João Francisco, que trabalha como taxista. Este foi à sua busca, arranjou- lhe emprego, para ver se saía do mundo do crime.

“Do pé pra mão, desistiu de trabalhar e voltou a roubar, e agora as coisas do próprio irmão”, disse. A primeira vez roubou o dinheiro que o irmão tinha guardado para o seu casamento previsto para  5 de Janeiro do próximo ano e fugiu. O irmão foi à sua procura e, como ele confessou o crime, perdoou, na perspectiva de que iria mudar, mas não voltaram a viver juntos, no bairro 7 e meio.

O mais velho arrendou outra casa, no Antonov. “O cassule perseguiu o irmão na nova casa, roubou a botija, o plasma e o descodificador. Ali o irmão pegou nele, bateu-lhe e amarrou-o dentro de casa, para ver se falava e dizia onde e a quem vendeu as coisas. A agressão foi à noite, ele passou a noite toda amarrado e, no dia seguinte quando ia para desamarrá- lo, já estava morto”, detalhou.

A família estava cansada com os problemas que a vítima trazia e achou corajosa a atitude que o irmão teve de tê-lo trazido para viver consigo. Dizem que João Francisco, o acusado, é uma boa pessoa, trabalhador, da “igreja”, não bebe nem fuma, nunca lutou com ninguém, e não merece estar preso, independentemente de ter cometido um crime (que não foi intencional).

“Ele nunca teve problema com ninguém, o primeiro problema é mesmo esse de ter batido no irmão. Nós estamos a pensar mais neste que está preso, do que naquele que morreu. Ele próprio é que foi entregar- se à Polícia”, acrescentou. Neste momento a família trata do enterro de Pedro e, ao mesmo tempo, da libertação de João.