Sector cafeícola precisa de mais investimento

Celebra-se hoje, Segunda-feira, o Dia Internacional do Café. Por essa razão, ouvimos pessoas ligadas ao sector que defendem mais investimentos, multiplicação de mudas, novas técnicas de cultivo e não só

Texto de: Patrícia de Oliveira

Angola conta com uma produção anual de 7 mil toneladas de café, ainda está longe de recuperar a “marca” de 240 mil toneladas, colhidas em 1972.O café foi dos produtos que mais receitas deu ao país. Foi relegado para um plano secundário.

No entanto, agora está em fase de relançamento. De acordo com dados disponíveis, para este ano espera-se uma safra de cerca de 7 a 8 mil toneladas de café mabuba.

Porém, nos próximos anos, a produção do café em Angola poderá atingir as 50 mil toneladas. No país, o quilograma de café mabuba é comercializado a 150 a 200 Kwanzas e o café comercial entre 350 e 400 Kwanzas. Para superar os problemas que os cafeicultores enfrentam ao nível do país, o sector necessita, para os próximos cinco anos, de pelo menos 27 biliões de Kwanzas.

Sobre o assunto, o director da Cafangol, Bonifacio Manuel, defende mais investimentos e incentivos para os produtores do café , de modo a aumentar as áreas de produção e apostar na exportação do produto. Para ele, os investimentos no café devem chegar aos produtores através do crédito bancário, para expandir as áreas e os níveis de produção.

“ O relançamento da produção de café está num bom rumo, no entanto, é preciso mais multiplicação de mudas para aumentar o número de plantas de café”, explica . Segundo ele, existe interesse da comunidade internacional para adquirir o café angolano, sublinhando que o café nacional tem grande qualidade.

No que diz respeito ao preço, refere que é irregular, o que acontece com todas as comodities. Por outro lado, depende da oferta e procura por parte dos comerciantes. Segundo o responsável da Empresa Pública Cafangol, a capacidade está sub-aproveitada por falta de produção, acrescentando que possuem capacidade para tratar 120 toneladas de café.

Por sua vez, segundo o director da fábrica de café J.M.V., (Café Gabela), Manuel José, devem existir no país mais investimentos e um compromisso com o Governo a fim de incentivar os produtores e ver no produto uma grande oportunidade para o desenvolvimento económico, nomeadamente, criar empregos no meio rural e estabilidade para as províncias que produzem o café, como são os casos do Uíge, do Bengo, dos Cuanzas-Norte e Sul e de Benguela.

Chama a atenção que, diferente do petróleo, o café é uma actividade renovável, e a planta do café tem muitos anos de vida útil. Entende -se que, caso o Governo invista para o crescimento do sector, este poderá aumentar a receita fiscal. “Nos últimos tempos não existe engajamento para aumentar os níveis de produção do café.

Anteriormente havia empresas estatais que tratavam do sector cafeícola com determinação”, referiu . Segundo o responsável, as características da cultura do café tornam a produção cara, ao mesmo tempo que não há aposta do Executivo em novas tecnologias para mudar as técnicas de produção, reduzindo a força humana.

Até ao momento, a fábrica J.M.V produziu 15 toneladas de café , tudo porque o número de compradores está cada vez mais reduzidos. No mercado há 11 anos, a fábrica encontra- se localizada na cidade do Sumbe e conta com a cadeia completa desde a torrefacção do café à comercialização.