Dinho Chingunji lidera projecto “Nova Geração de Políticos”

Jovens políticos trabalham afincadamente para a legalização das comissões instaladoras dos seus respectivos partidos junto do Tribunal Constitucional (TC) com vista a lançar um projecto denominado “nova geração de políticos”.

Trata-se de Eduardo (Dinho) Chingunji, Carlos Alberto Catchiungo e Karl Manuel Mponda, ex-militantes e quadros da UNITA, CASA-CE e MPLA, respectivamente, agora apostados no surgimento de novos projectos políticos. O antigo militante da UNITA, Dinho Chingunji, é o coordenador deste núcleo e fundador do partido “Njango”, cuja comissão instaladora está em vias de legalização junto no Tribunal Constitucional (TC). Este projecto, cujo manifesto foi lançado no princípio deste ano, tem como propósito, segundo Chingunji, reverter o paradigma das actuais forças políticas derivadas de movimentos de libertação nacional.Em entrevista a OPAÍS, Dinho Chingunji entende que o país está “refém” destes movimentos com assento parlamentar, cuja dinâmica não se contextualiza com os desafios actuais.

“Os partidos existentes são bastante fracos. Daí a necessidade da criação desta nova visão e filosofia política que irá transformar Angola”, justificou o jovem político. Ademais, informou que o núcleo, sem nenhuma denominação oficial, é formado por si, por Carlos Alberto Catchiungo e Karl Manuel Mponda, estes últimos líderes do MUDA-FP e MUN, respectivamente, e não se transformará em coligação, mas apenas numa frente unida. O objectivo, segundo o entrevistado, é dar um novo rumo à política nacional com a introdução de novas filosofias de países ocidentais como os Estados Unidos da América e do Canadá. Dinho Chingunji, antigo ministro da Hotelaria e Turismo no Governo de Unidade e Reconciliação Nacional (GURN), pela UNITA, evitou avançar mais pormenores em torno deste projecto da “nova geração de políticos”. Justificou que agora a acção deste trio está virada para a legalização das suas respectivas comissões instaladoras junto pelo TC.

Njango

Quanto à formalização da comissão instaladora, o político, originário de uma família (avó, pai e tios) de co-fundadores da UNITA, apontou para o princípio do próximo ano, altura em que será submetido ao Tribunal Constitucional para a sua consequente legalização. “Estamos a fazer tudo nas calmas, para que não haja reclamações no Constitucional. Entendemos o rigor que está a ser imposto agora, por isso, estamos a trabalhar para não sermos chumbados”, disse. Sobre a sustentabilidade do partido, que disse ser de “Centro-Direita”, caso passe pelo crivo do Tribunal Constitucional, garantiu que financeiramente dependerá das quotizações dos seus membros (militantes e quadros), bem como de empresários e amigos. Em termos de militância, o “Njango”, segundo o seu fundador, conta com quadros angolanos na diáspora, com destaque para os que residem na África do Sul, Zâmbia e Namíbia, e admite que o número de militantes venha a crescer assim que for legalizado.

MUDA FP e MON

Um outro jovem político com projecto semelhante é Carlos Alberto Catchiungo, ex-secretário da CASA- CE na Huíla, que é descrito como estando a liderar a criação da comissão instaladora do partido Movimento de Unidade e Democracia para Angola, Frente Patriótica (MUDA-FP). Para além deste, em meados deste ano foi lançado, em Luanda, o manifesto político do Movimento de Unidade Nacional(MUN) pela mão de Karl Manuel Mponda, que aguarda, também, por legalização. Na altura do seu lançamento, o seu fundador tinha dito que Angola precisava de um partido político capaz de acabar com a hegemonia política do MPLA instaurada no país. O fim dessa hegemonia passaria pela instauração de uma nova ordem social, “onde o cidadão é respeitado e o empresário promove negócios dando emprego para o bem-estar do cidadão”, segundo Karl Mponda.