A Última Viagem do Príncipe Perfeito é exibida hoje no Elinga Teatro

A peça com figurinos de Anacleta Pereira e luzes de Rui Vidal é dirigida por José Mena Abrantes e será exibida às 20 horas no Espaço Elinga Teatro, pelo grupo com o mesmo nome.

A história remonta ao ano de 1975, altura em que o navio ‘Príncipe Perfeito’ realizou a sua última viagem de passageiros de Lisboa para Luanda. Na intimidade de cada um começava a esboçar-se o fim agónico do império que o Rei D. João II de Portugal, cognominado o ‘Príncipe Perfeito’, tão decisivamente ajudara a construir. As situações a que aludem os momentos dramáticos poderiam ter ocorrido nessa época: o caso do estudante que decide regressar convencido de que vai ter um papel na revolução em curso no seu país (A vigia); a mulher que perdeu todas as ilusões e a que luta por reencontrar um lar (Oh, mar); o clandestino de todas as viagens que fez na vida (O clandestino) e o casal que descobre que os sentimentos nunca morrem e se renovam como as ondas do mar (Do outro lado do mar).

História comum, dos anos anteriores à Independência de Angola e à Revolução de Abril, que nos é zado principalmente como instrumento de mobilização e consciencialização popular (grupo Tchinganje), passou-se a uma etapa em que começou a ser dada ênfase a uma função expressiva mais elaborada (grupos Xilenga e de Medicina) até à fase actual, em que a pesquisa de linguagens novas e a experimentação se têm vindo a tornar dominantes (grupo Elinga- Teatro). O que importa realçar é que entre os quatro grupos se acabou por criar uma continuidade temporal, estética e de conteúdo, que estabelece uma linha minimamente coerente de desenvolvimento teatral em Angola, durante um período de mais de 43 anos (com início em Março de 1975). Desde a sua criação, o grupo revelada nestes episódios trágicos, na clausura de um navio que é a clausura de um Estado, no tédio insuportável da navegação atlântica entre Lisboa e Luanda”.

O colectivo

O grupo Elinga Teatro foi criado no dia 21 de Maio de 1988. A sua existência inscreve-se, numa linha de continuidade iniciada com o grupo Tchinganje (1975/76) e prosseguida com os grupos Xilenga-Teatro (1977/80) e Grupo de Teatro da Faculdade de Medicina de Luanda (1984/87). Comum entre todos a presença do mesmo director artístico, a activa participação de um núcleo de actores que sempre que necessário se desdobraram em técnicos, administradores e produtores e, acima de tudo, um mesmo projecto de teatro, voltado para o resgate e promoção da cultura angolana a todos os níveis (incluindo um tratamento moderno dos seus valores tradicionais) e para a difusão de um repertório teatral universal. De um propósito vincadamente intervencionista do ponto de vista político, em que o teatro foi utilizado principalmente como instrumento de mobilização e consciencialização popular (grupo Tchinganje), passou-se a uma etapa em que começou a ser dada ênfase a uma função expressiva mais elaborada (grupos Xilenga e de Medicina) até à fase actual, em que a pesquisa de linguagens novas e a experimentação se têm vindo a tornar dominantes (grupo Elinga- Teatro).

O que importa realçar é que entre os quatro grupos se acabou por criar uma continuidade temporal, estética e de conteúdo, que estabelece uma linha minimamente coerente de desenvolvimento teatral em Angola, durante um período de mais de 43 anos (com início em Março de 1975). Desde a sua criação, o grupo Elinga-Teatro apresentou, com produção própria, as obras: A revolta da Casa dos Ídolos, de Pepetela (Angola), uma adaptação, cenografia e direcção de José Mena Abrantes, e estreou em Luanda em Setembro de 1988. Esta peça foi também exibida no II Encontro de Teatro Africano em Itália, com representações em Messina/Sicília, Roma, Nápoles e Torino. A esta seguiu-se Os velhos não devem namorar, de Alfonso Castelao (Espanha), que estreia em Luanda em Julho de 1989. Ainda no capítulo de criações, seguiu-se Há vagas para moças de fino trato (excerto), de Alcione Araújo (Brasil), sob diirecção de Murilo Eckhardt (Brasil).