Metade dos combustíveis em Angola está armazenada no mar

A entrada de novos operadores no setor de logística destes produtos, entre eles a Sonangalp, luso-angolana, e a Pumangol, poderá ser uma das medidas para que os ‘stocks’ em terra possam aumentar.

Metade dos 700 mil metros cúbicos de derivados de petróleo existentes em Angola está armazenada em reservatórios flutuantes, em vez dos ‘stocks’ em terra, um mecanismo mais eficaz para minimização de custos, disse ontem, Sexta-feira, uma fonte do sector à LUSA. Segundo o director-geral do Instituto Regulador de Derivados de Petróleos (IRDP), Manuel Ferreira, a entrada de novos operadores no sector de logística destes produtos, entre eles a Sonangalp, luso- angolana, e a Pumangol, poderá ser uma das medidas para que os ‘stocks’ em terra possam aumentar, por ser mais barato.

O responsável, que falava à imprensa no final de uma visita de trabalho às instalações da base logística da Pumangol, nos arredores de Luanda, referiu que, para reverter actual situação, o IRDP está a trabalhar com os operadores do sector (Sonangol e Pumangol) no sentido de transformar o ‘stock’ flutuante em armazenagem em terra, visando a minimização de custos. Segundo o director, os operadores estão “plenamente de acordo” com a medida para a concretização do objectivo. Quanto à entrada de novos operadores no segmento de logística, Manuel Ferreira disse que o sector está a trabalhar na proposta de revisão do actual quadro jurídico, que dá exclusividade a Sonangol Logística de desenvolver esta actividade, para que outros actores, como a Pumangol e a Sonangalp, também exerçam a mesma função.

Referiu que a proposta de revisão desta lei será entregue, através do Ministério dos Recursos Minerais e Petróleo, ao Presidente de Angola, João Lourenço, antes do final deste ano. Sublinhou, por outro lado, que Angola possui uma capacidade de cerca de cinco milhões de toneladas de derivados de petróleo, que ainda não atende a necessidade do mercado. Por seu lado, o director da distribuidora Pumangol, Carlos Figueira, garantiu a prontidão da empresa no armazenamento e fornecimento do gasóleo, gasolina, betume e Jet para aviação ao mercado nacional. Disse que a Pumangol tem uma capacidade média de armazenar 265 mil metros cúbicos de gasóleo, mais de mil de gasolina e 40 mil de Jetfuel. A Pumangol possui em Angola 78 postos de abastecimento, o que representa 8% do total, sendo responsável de cerca de 21% da fatia do mercado retalhista de derivados de petróleo, empregando 400 trabalhadores a nível nacional e criando 5.000 postos de trabalho indirecto. A capacidade produtiva instalada na Pumangol ronda os 400 mil metros cúbicos de derivados de petróleo, bem como possui instalações para alugar a outros operadores. Por seu lado, a empresa angolana Sonangalp, participada em 49% pela portuguesa Galp Energia, opera em cerca de meia centena de postos de abastecimento de combustíveis em Angola, num mercado liderado pela estatal Sonangol, que detém os restantes 51% da petrolífera.