Presidente Lourenço destaca verticalidade e intelectualidade de Lukoki

Titulares de órgãos de soberania, membros do Executivo, partidos políticos e sociedade civil renderam homenagem a Ambrósio Lukoki.

O Presidente da República, João Lourenço, considerou ontem, em Luanda, o malogrado embaixador Ambrósio Lukoki um intelectual exemplar, político corajoso e de princípios éticos fortes. A informação vem expressa no livro de condolências, assinado pelo Chefe de Estado angolano e outras várias personalidades da esfera política, durante a homenagem prestada ontem pela manhã no velório no Quartel-general das Forças Armadas Angolanas. “Desempenhou funções importantes na política, educação, cultura e na diplomacia, sempre com o objectivo de servir bem Angola e os angolanos” acrescentou o Presidente Lourenço, tendo endereçado condolências à família, viúva e filhos. O político e nacionalista morreu na Segunda-feira, 1, aos 77 anos de idade, sendo a sua verticalidade e o potencial intelectual algumas das notas mais referenciadas.

O Presidente João Lourenço assinalou, no livro de condolências, que “Lukoki pertence a uma gesta de jovens angolanos que se entregaram à causa da luta de libertação nacional contra o colonialismo português e que culminou com a proclamação da Independência Nacional, a 11 de Novembro de 1975”. O presidente da FNLA, Lucas Ngonda, afirmou que admirava a frontalidade de Ambrósio Lukoki, enquanto político e intelectual, pelas posições críticas em defesa da política de quadros e para a reforma do sistema educativo. Luzia Inglês, secretária da Organização da Mulher Angolana (OMA), destacou a relação com o nacionalista, baseada na irmandade, tendo considerado a sua morte uma perda irreparável. O político Eduardo Kuangana disse que o malogrado foi-se, mas os seus ensinamentos continuarão a ser seguidos, quer pela geração antiga, como pela nova. Enquanto político, diz ter boas lembranças do período marcado pelo fim da guerra, em que os dois voltaram para a terra natal.

O deputado Makuta Nkondo conta ter lidado com Ambrósio Lukoki na esfera ideológica do MPLA, na década de 1970, no órgão que controlava toda a informação por via do Departamento de Informação e Propaganda. “O colono português, por onde passou deixava sempre dois vestígios: uma igreja e um quartel militar, e nós, comunistas angolanos, vamos transformar estes quarteis em centros de educação política e ideológica” lembrou Makuta, citando palavras de Ambrósio Lukoki. Os restos mortais do nacionalista vão a enterrar hoje, Sábado, na sua terra natal, em Kibocolo, Uíge, onde foi comissário provincial (1976-1977). Ambrósio Lukoki foi igualmente ministro da Educação (1977-1980). Exerceu cargos de revelo, com destaque para o de director-geral do Bureau Africano das Ciências de Educação junto da então Organização de Unidade Africana (1996- 2001), embaixador de Angola em França (2003-2006) e embaixador de Angola na Tanzânia (2007-2018).