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Sarna “invade” Mbonde Chapé por falta de água potável

A falta de água potável no bairro Mbonde Chapé, em Luanda, é apontada como uma das principais causas de inúmeros casos de escabiose (sarna) registados no Centro Materno Infantil aí existente.

A directora da instituição, Maria Fernanda, disse, em exclusivo a OPAÍS, que acredita que a patologia surgiu por falta de água potável, uma vez que muitas famílias que aí residem não têm possibilidade financeira de comprar um bidão deste precioso líquido, de 20 litros, que é comercializado a 100 Kwanzas. Contou que é frequente registar a patologia em mais de dois ou três membros da mesma família. “Não temos como ajudar estas crianças, porque estamos sem fármacos”, lamentou a médica em pediatria. Entre as patologias mais frequentes nesta unidade hospitalar figura também a malária, que é considerada como a principal causa de morte em Angola. Para além da comunidade, o próprio centro também tem, entre as principais dificuldades, falta de água potável, que tem sido mitigada com o abastecimento regular de camiões cisternas, sendo que mensalmente desembolsam 24 mil Kwanzas para encher o reservatório de 20 mil litros.

Este montante é suportado com as contribuições de pacientes que acorrem ao laboratório, pelo facto de não ser uma unidade cabimentada. O centro atende diariamente mais de 200 pacientes. Outra dificuldade prende-se com a carência de recursos humanos. Para ultrapassar essa situação necessitam de cinco técnicos para reforçar a sala de partos, igual número para o banco de urgência, para a área de limpeza e dois para o laboratório. Durante a nossa reportagem, pudemos constatar que as instalações do centro também constituem outro motivo de preocupação, tendo em conta que estão a degradar-se. No interior são visíveis diversas fissuras. Desde que foi inaugurado, em 2010, não beneficiou de nenhuma reabilitação.

Centro sem condições para adolescentes grávidas

Segundo a responsável da sala de partos do Centro Materno Infantil Mbonde Chapé, Teresa Ferreira, recorrem à instituição mensalmente mais de 10 adolescentes grávidas. No entanto, são encaminhadas para os hospitais de referência, tendo em conta a residência da menor, por carecerem de técnicos especializados para lidar com gestantes cujo corpo ainda não está preparado para determinadas transformações. “Devem ser acompanhadas por especialistas, porque são gestantes de alto-risco”, explicou. Contou que, durante a gestação, tanto a gestante como o bebé correm o risco de vida e alguns chegam a nascer com malformação congénita. No entanto, apesar da actual situação de vida que a sociedade enfrenta, em que muitos encarregados de educação saem cedo das suas residências e chegam de noite, Teresa Ferreira, aconselha os pais a conversarem com os filhos sobre a educação sexual, de modo a inverter o quadro. No seu ponto de vista, assuntos do género devem ser abordados nas escolas com maior frequência. O Centro proporciona aos moradores deste bairro e das zonas circunvizinhas serviços de pediatria, medicina, genecologia, planeamento familiar e do Programa Alargado de Vacinação (PAV). A instituição tem ainda sala de parto e laboratório.

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