A nossa maka verdadeira

Está tudo aflito com a subida da dívida pública externa. Todos querem saber quanto se deve ao estrangeiro, o que é legítimo. E há alertas a soar por causa dos novos empréstimos chineses, também com razão. O receio é que se deixe para as novas gerações dívidas enormes, quase impagáveis, o que é também uma preocupação justa. Até aqui tudo bem. Mas olhemos de outra forma: teremos sempre dívidas, todos os países têm dívidas. Então, a diferença é que os outros têm com o que pagar, podem planear, prever e controlar a sua dívida externa. Mas isso também não tem, acho eu, uma ciência divina por trás, tem apenas trabalho. E é aqui que está a nossa maior maka. Olhamos para a dívida e nos assustamos, mesmo sabendo que precisamos de dinheiro fresco. Angola precisa mesmo de dinheiro. Logo, talvez devêssemos pensar em duas coisas imediatamente: no controlo da aplicação dos empréstimos e no incremento da nossa capacidade de transformar os empréstimos em riqueza. Se o país se organizar e produzir e exportar, se começar por garantir o seu auto-sustento alimentar e eleger cinco ou seis produtos em que possa ser competitivo nos mercados internacionais, já estaremos no bom caminho. A maka maior não é a dívida, é começarmos a trabalhar já. Mas nisso, por enquanto, é que não se fala muito.