Carta do leitor: A síndrome do bafómetro

É notório nas principais estradas da capital, sobretudo naquelas que dão acesso às centralidades, a presença de efectivos da Polícia.

POR:Júlio Cipriano
Luanda

Ainda durante a vigência do comandante Alfredo Mingas ‘Panda’, estes efectivos introduziram de forma impiedosa o uso do chamado ‘bafómetro’, uma situação que fez com que se diminuísse o número de automobilistas que conduziam embriagados e consequentemente os acidentes e mortes nas estradas. As operações da Polícia Nacional têm sido elogiadas por muitos. Houve até uma rádio em que os nomes de alguns detidos eram anunciados, assim como as respectivas multas que pagaram depois de um período de detenção nas esquadras de Luanda. Porém, a grande preocupação que tenho reside no facto de um número considerável de efectivos da Polícia Nacional terem virado as suas forças apenas para este expediente, que deve ser da responsabilidade da Polícia de Trânsito ou então da Brigada Especial de Trânsito. O medo imposto pelo bafómetro e os altos valores pagos em multa criaram um mercado onde em qualquer esquina da cidade capital é visível a presença sobretudo de agentes da Ordem Pública a importunarem os motoristas, revistar as viaturas sem necessidade nenhuma e criando sérios constrangimentos nos pacatos cidadãos que precisam chegar às suas residências depois de uma longa jornada laboral. É preciso que não se abuse da paciência de quem tem os documentos em dia por alguns cidadãos que envergando o uniforme da corporação têm interesses inconfessos. O comandante-geral da Polícia deve, junto dos seus subordinados, encontrar formas para que estas campanhas não se transformem numa espécie de aborrecimento para os cidadãos. Passar-se por dois, três, quatro ou cinco postos de Polícia no mesmo dia acaba por criar outros transtornos aos cidadãos.