Administrador desmente expropriação de terras agrícolas na Quibala

O advogado Zola Bambi disse estar preocupado com a expropriação de terras agrícolas a camponeses no município da Quibala por um empresário local, que depois as vende a outros, mas o administrador local desmente esta informação.

O advogado fez estas declarações a OPAÍS, em Luanda, à margem de um encontro com um grupo de camponeses da comuna de Cariango, município da Quibala (Cuanza- Sul), que o constituíram causídico num diferendo que os opõe a um empresário identificado por Víctor Manuel Ventura Nunes. Víctor Nunes, segundo a fonte, é apontado pelos camponeses como tendo expropriado vastas extensões de terras aráveis a famílias camponesas das aldeias de Mbanza- Bamba, Lubamba e Mutike, que distam a 45 quilómetros da sede municipal da Quibala. Estas terras foram expropriadas à força e vendidas supostamente a um conhecido bancário angolano, que é também natural do Cuanza- Sul, onde detém vários negócios no ramo agropecuário e hoteleiro.

Vendidas entre Janeiro de 2014 e Agosto de 2018, baseando-se nas declarações da fonte deste jornal, os camponeses lançaram um grito de socorro às autoridades locais para resolver o assunto, mas sem sucesso. Com a alegada expropriação destas terras, segundo Zola Bambi, os seus antigos proprietários estão a passar por inúmeras dificuldades para cultivar, situação que está a provocar fome no seio das famílias. O advogado, que é presidente do Observatório para a Coesão Social e Justiça(OCSJ), uma organização da sociedade civil que zela pela defesa dos direitos fundamentais e humanos, promete levar o caso à justiça.

Administrador desmente

Este jornal contactou o administrador municipal da Quibala, Isaías Bumba Luciano, que explicou ter conhecimento da presença do advogado Zola Bambi naquele município, mas desconhece se esteve lá para resolver um suposto conflito de terras entre camponeses e empresários. “Depois que saiu da comuna do Cariango já não passou por nós, enquanto Administração local do Estado, e não nos apresentou nenhum relatório a este respeito, e só agora estou a tomar conhecimento deste assunto”, disse o responsável. Informou ter conhecimento da transação legal de terrenos entre o empresário Víctor Nunes e o bancário em causa, comprados a camponeses dessas comunidades, mas desconhece a existência de conflitos de terras com estes camponeses. “O que mais temos aqui no município da Quibala é terra para cultivar. Nenhum cidadão pode queixar- se da falta de terra para produzir”, sublinhou Isaías Luciano. Desmentiu a “privatização” de rios e lagoas na circunscrição que dirige, e desafiou os denunciantes a mostrarem provas, ao mesmo tempo que chama a atenção sobre denúncias sem fundamento.