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Campanha agrícola arranca hoje no Bié e prevê duplicar a colheita de cereais

O ano agrícola 2018 / 2019 abre oficialmente hoje, no município do Chinguar, aldeia de Canjela, província do Bié, e espera-se pela colheita de um milhão e 750 toneladas de milho, feijão e trigo, 25% mais que na época anterior.

A decorrer sob o lema “Agricultura Rumo à Auto-suficiência Alimentar e à Promoção das Exportações”, a cerimónia acontece hoje na província do Bié, na presença de deputados à Assembleia Nacional, membros do Executivo, especialistas do sector agro-pecuário e florestal, académicos, parceiros sociais, representantes das associações de agricultores empresariais e familiares, membros da sociedade civil e de organizações não-governamentais. Em entrevista exclusiva a OPAÍS, o director provincial da Agricultura no Bié, Rocha Sandemba, garantiu que estão preparadas todas as condições para a abertura da campanha agrícola 2018/2019.

Referiu que para a presente campanha agrícola estão preparados 350 hectares de terra e espera-se pela colheita de um milhão e 750 toneladas de produtos diversos, entre os quais milho, feijão e trigo. O responsável disse ainda que neste ano, 300 famílias serão apoiadas com meios técnicos mecanizados e sementes, sendo que cada família vai receber um hectare de terra. Rocha Sandemba avançou que o Governo vai continuar a trabalhar para ajudar os agricultores no acesso aos instrumentos agrícolas, sementes e fertilizantes, visando o alargamento das áreas de cultivo. Referiu que, neste momento, perto de duas mil e 411 toneladas de adubos estão também disponíveis para a campanha agrícola.

Segundo Rocha Sandemba, o ano agrícola 2018/2019 está também marcado com a realização de uma feira agro-pecuária, com a participação de mais de 15 empresas do ramo, que vão expôr os seus produtos, desde equipamentos agrícolas, fertilizantes e outros produtos A campanha vai servir também para as famílias camponesas apresentarem as principais culturas e potencialidades agro-pecuárias de diversas regiões do país. As instituições que potenciam os camponeses com conhecimentos tecnológicos e assistência técnica vão, igualmente, mostrar os seus equipamentos nesta montra. A nova campanha terá por principal objectivo atingir as metas pré-definidas no Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN), que prevê, até 2019, cobrir 70% a 80 % das necessidades alimentares do país.

O problema da agricultura deve ser atacado em conjunto

Para o engenheiro agrónomo Fernando Pacheco, o fertilizante não é o único e o mais importante constrangimento da agricultura no país, pois, para ele, os constrangimentos devem ser correctamente identificados para serem atacados no seu conjunto. “Não adianta ter fertilizantes sem ter boas sementes e vice-versa. Ou ter ambos os factores sem conhecimento técnico, por exemplo. Ou ter isso tudo e não termos comercialização ou estradas”, referiu. Segundo o engenheiro, que falou em exclusivo a OPAÍS, o Executivo tem de perceber a importância da agricultura e actuar de forma integrada e coordenada. “Só poderemos pensar em produção em larga escala e diminuir as importações se mudarmos o modo de pensar e agir”, disse. Por outro lado, reconheceu a existência de alguma melhoria da parte do Executivo, “ mas temos de reconhecer que está a haver algum progresso, assistimos a um aumento do peso político do Ministério da Agricultura e isso é um passo muito importante”, reconheceu.

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