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Haddad resolve aproximar-se da Igreja Católica

O candidato petista Fernando Haddad destacou nesta Quinta-feira (11) as suas concordâncias com temas que a Igreja Católica “considera essenciais”, relacionados à violência, ao meio ambiente, à corrupção, ao aborto e à preservação das instituições democráticas.

“O nosso programa prevê acções alinhadas a esses princípios”, declarou Haddad aos repórteres após a reunião, em Brasília, com o secretário- geral da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Leonardo Steiner. A visita foi feita a pouco mais de duas semanas da segunda volta, na qual o candidato de extrema-direita, Jair Bolsonaro, é considerado o grande favorito, com 58% das intenções de voto contra 42% para o candidato do PT, de acordo com pesquisas. Mas Haddad destacou que há apenas um mês ele se tornou o candidato oficial após a invalidação da candidatura do ex-presidente Lula, e que espera continuar a crescer diante do eleitorado. “Quem saiu dos 4% de intenções de voto para saltar aos 42% também vai chegar aos 50%. Faltam oito para chegar aos 50%. Temos duas semanas de trabalho para conseguir esses 8%”, afirmou.

Bolsonaro ganhou apoio generalizado das influentes igrejas evangélicas e também tem grande aceitação entre os católicos, no país com o maior número de fiéis no mundo dessa religião. De acordo com a primeira pesquisa realizada após a primeira volta eleitoral no Domingo, 46% dos católicos apoiam Bolsonaro contra 40% de Haddad. Entre os evangélicos, Bolsonaro tem 60% e Haddad, 25%. Em entrevista ao site de notícias UOL, Steiner lembrou na Segunda- feira que, por lei, os padres não podem apoiar qualquer candidato em eventos religiosos, mas “podem falar da importância de preservar a democracia”. Bolsonaro destacou-se ao longo da sua carreira por um discurso autoritário e a sua admiração pela ditadura militar (1964-1985). Haddad disse que Steiner explicou a ele as cinco questões que mais preocupam os católicos que irão às urnas na segunda volta.

Essas questões são “o compromisso com a acção do Estado no combate à violência, no combate à corrupção, o fortalecimento das instituições democráticas, a defesa do meio ambiente e um compromisso com a preservação da vida”. A CNBB emitiu um comunicado no qual afirmou que Haddad “não veio pedir apoio”, e também listou os temas discutidos, noutra ordem e com outros termos: “A não legalização do aborto, a protecção do meio ambiente, a preocupação especial pela questão indígena e quilombola (comunidades de descendentes de escravos fugitivos), a defesa da democracia e o rigoroso combate à corrupção”. O programa de Haddad não se refere ao aborto. O candidato disse em 2012 ser “pessoalmente contra” a sua legalização. Ele também pediu para “estabelecer políticas públicas que ofereçam às mulheres condições para planear as suas vidas”.

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