Transparência

Está em curso a Operação Transparência. Os primeiros resultados permitem perceber a baderna instalada no nosso mundo nacional do diamante. Os números apresentados pelas autoridades, de imigrantes ilegais, de pedras de minério apreendidas, de equipamentos diversos, automóveis e de cédulas de dinheiro levam à cabeça as mãos de qualquer pessoa. E fazem bem as autoridades, quando comunicam o andamento da operação. Afastar os jornalistas seria terrível para a imagem do Estado. Há que legitimar as acções executando- as com a devida transparência. Mas, ainda assim, não basta. É preciso discutir sobre como são salvaguardados os direitos dos garimpeiros artesanais associados em cooperativas e devidamente certificados pelo Estado. Estes devem ser protegidos. Suponho que a operação tenha este propósito também. Por outro lado, há que apelar ao senso humanitário e ver como são repatriados os imigrantes, sobretudo as famílias com crianças. E, ainda, há que acautelar, devidamente, um possível boomerang do impacto do regresso de mais de cento e cinquenta mil pessoas ao Congo Democrático, país que sabemos não viver de boa saúde em termos de segurança e integração social. Posto tudo isso, agarrando-nos aos dados que nos chegam, esta operação só peca por tardia.