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Antropólogo Ruy de Carvalho homenageado com museu

O espaço com mais de 300 peças, reúne também vários objectos dedicados aos povos do sudoeste de Angola e da República da Namíbia O Instituto Superior Politécnico Tundavala (ISPT), localizado na província da Huíla, homenageou esta Quinta-feira, a título póstumo, o cineasta e antropólogo, Ruy Duarte de Carvalho, com a abertura de um espaço museológico, que retrata o sudoeste angolano. Em declarações à Angop, a propósito da homenagem, a antropóloga Inês Ponte disse que o trabalho para a criação do espaço museológico começou a ser desenvolvido em 2011, um ano após a morte do também escritor.

Fez saber que o projecto foi incentivado por familiares de Ruy Duarte de Carvalho. O museu está dividido em alas com acervo sobre Ruy Duarte de Carvalho organizado por núcleos temáticos sobre a sua vida e obra poética, trabalhos sobre antropólogia, actividade docente na Universidade Agostinho Neto (UAN) e realizador de cinema na Televisão Pública de Angola (TPA). O espaço com mais de 300 peças, reúne também vários objectos dedicados aos povos do sudoeste de Angola e da República da Namíbia, como instrumentos musicais, adornos, brinquedos e esculturas feitas de cerâmica e de ossos de animais. O museu tem ainda uma sala constituída por cestaria e moagem, objectos pessoais como despertador, cachimbo, cinzeiro, material de trabalho, além de medalhas, diplomas e outros prémios que recebeu ao longo da sua carreira.

O homenageado

Ruy Duarte de Carvalho nasceu em Santarém, Portugal, em 1941, mas passou a sua infância e adolescência no Sul de Angola, onde acompanhava o pai, um aventureiro português caçador de elefantes, nas suas incursões pelo deserto do Namibe. Regente agrícola de formação, Ruy Duarte de Carvalho foi criador de ovelhas e mais tarde estudou Cinema em Londres (Inglaterra) e Antropologia em Paris (França). Em 1982, levou a cabo um pioneiro exercício de tradução/ apropriação da grande tradição lírica oral nas várias línguas autóctones africanas. Como autor, publicou entre outras obras “Vou lá visitar pastores”, (1999), “Sobre os Kuvale”, “Sociedade pastoril do sudoeste de Angola”e “Como se o mundo não tivesse Leste”. No cinema, realizou as longas-metragens “Nelisita: narrativas nyaneka” e “Moia: o recado das ilhas” Em 2010, Ruy Duarte de Carvalho faleceu em Swakopmund, na Namíbia, local onde residia.

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