CCBA acolhe conferência sobre antropologia, história do Reino do Kongo e sua estética

O colóquio organizado no âmbito da valorização do património cultural angolano, junta académicos, agentes culturais, estudantes universitários e outras individualidades, conta com o financiamento do Fundo Cultural Franco-Alemão.

A antropologia em Angola, a História do Reino Kongo e sua estética, o comércio dos escravos nos séculos XVII e XVIII, a história e o significado dos objectos etnográficos (pensador Cokwe, Nkisi Konde), entre outros temas serão debatidos em Conferência, nos dias 16, 17 e 18 deste mês, no Centro Cultural Brasil-Angola, em Luanda. O colóquio organizado pelas embaixadas da França e da Alemanha, em Angola, no âmbito da valorização do património cultural angolano, com o financiamento do Fundo Cultural Franco-Alemão (Fonds Culturel Franco-Allemand), terá como oradores, os académicos Jean de Dieu Nsondé, de França e do anfitrião, Manzambi Vuvu Fernando, de Angola.

Durante três dias, os conferencistas passarão também em revista temas relacionados ao comércio de escravos nos séculos XVII e XVIII, a história e o significado dos objectos etnográficos (pensador Cokwe, Nkisi Konde). “A Antropologia em Angola (história da disciplina, estado actual e desafios)”, “As colecções do Museu de Antropologia”, “A desconstrução do Pensador Cokwe”, “Configuração do Reino Kongo, uma entidade política ou cultural?”, são entre outros temas a aflorar neste colóquio. A agenda, inclui ainda uma discussão à volta de “A estética do Reino Kongo”, “Kimpa Vita ,a fragmentação política no Reino do Kongo e as suas implicações no tráfico transatlântico no Séc. XVIII”, “A contribuição do futuro Museu do Reino do Kongo na preservação do património cultural”, “Conferência sobre linguística africana” e “O uso de material de recuperação dos objectos de culto Kongo”.

Reino do Kongo

O chamado Reino do Kongo ou Império do Kongo foi uma região localizada a sudoeste do continente africano. Um território que hoje corresponde ao noroeste de Angola incluindo Cabinda, a República do Congo, a parte ocidental da República Democrática do Congo e a parte centro-sul do Gabão. Na sua máxima dimensão, estendia- se desde o oceano Atlântico, a oeste, até ao rio Cuango, a leste, e do Rio Ogoué, no actual Gabão, a Norte, até ao rio Cuanza, a Sul. O Reino do Kongo foi fundado por Ntinu Wene no século XIII. A região era governada por um líder chamado Rei pelos europeus, o manicongo. Esta consistia em nove províncias e três regiões (Ngoio, Cacongo e Loango), mas a sua área de influência estendia- se também aos estados limítrofes, tais como Ndongo, Matamba, Cassange e Quissama. A capital era M’Banza Kongo (literalmente, Cidade do Congo), rebaptizada São Salvador do Congo após os primeiros contatos com os portugueses e a conversão do manicongo ao catolicismo no século XVI, e renomeada de volta para M’Banza Kongo em 1975.

De acordo com a tradição do Congo, a origem do Reino encontra-se em Mpemba Kasi, Região que era localizada a Sul da moderna Matadi, na República Democrática do Congo. A dinastia de governantes desse país construiu o seu governo ao longo do vale do Cuílo e foi enterrada em Nsi Kwilu, sua capital. Tradições do século XVII fazem alusão a este solo sagrado de enterro. De acordo com o missionário Girolamo da Montesarchio, um capuchinho italiano que visitou a área em 1650-1652, o local era considerado tão santo que olhar para ele era considerado mortal. Tradições verbais sobre o início da história da região foram escritas pela primeira vez no final do século XVI, e os mais completos foram registradas em meados do século XVII, incluindo aqueles escritos pelo missionário capuchinho italiano Giovanni Cavazzi da Montecuccolo. Uma pesquisa mais detalhada sobre as tradições orais modernas inicialmente conduzida no início do século XX por missionários redentoristas como Jean Cuvelier e Joseph de Munck não parece se relacionar com o período inicial da história do reino.