Ministério da Saúde estende concurso público para cobrir vagas

O concurso público do sector da Saúde, aberto no dia 03 de Setembro, cujo término era inicialmente previsto para 1 de Outubro, terá uma moratória, a partir da próxima semana, de acordo com a ministra de tutela, para serem preenchidas as vagas em falta. Com a excepção das províncias de Luanda e Namibe, as demais do país registam inscrições em falta.

A ministra da Saúde, Silvia Lutucuta, reuniuse, ontem, com os responsáveis dos governos de cada província, na sede do ministério que tutela, em Luanda, para um prévio balanço da situação do concurso público no sector e da logística de medicamentos. Nesta reunião, em jeito de balanço, a ministra apresentou a preocupação de um considerável número de concorrentes, em quase todas as províncias, para preencher as vagas. Só para se ter noção, antes de se realizar o concurso, o MINSA tinha como dados gerais cerca de 3000 médicos no desemprego, pelo que disponibilizou 1500 vagas para admissão destes profissionais, mas apenas 1300 médicos estão inscritos e em condições de passar para a próxima fase do concurso.

“Queremos aproveitar para fazer um apelo aos profissionais de saúde que estão desempregados para concorrerem. Nós vamos, excepcionalmente, na próxima semana, fazer uma abertura com duração de uma semana, para novas inscrições, bem como trabalhar com os médicos recém-formados, que vieram doutros países, para se inscreverem”, disse. A responsável da pasta quer perceber as razões que levaram os médicos recém-formados na Rússia, Cuba ou Marrocos, por exemplo, a não concorrerem. Por outro lado, uma boa parte dos médicos está inscrita na província de Luanda. Há províncias em que ainda há vagas por preencher.

“O mesmo apelo vai para os já inscritos repensarem a província e não ficarem todos aglomerados em Luanda, por exemplo. Podem mudar, durante a próxima semana, a província, pois, se não o fizeram, nós seremos obrigados a enquadrá- los ali onde precisamos de médico. É melhor escolher de livre vontade do que serem obrigados”, recordou. Os candidatos que tiverem positiva e a cidade de Luanda não tiver mais vagas, serão colocados noutras províncias. Na província da Lunda-Norte, por exemplo, o governador local, Ernesto Muangala, disse que das 44 vagas disponíveis, faltam por preencher quatro. A ministra não avançou os dados de todas as províncias, nem o total de vagas por se preencher em cada área, mas prometeu que no momento certo esta informação estará disponível no site de inscrição, bem como para os meios de comunicação fazerem a divulgação.

Apenas Luanda e Namibe têm os números de vagas ocupados. Com um total de vagas de 7667, o concurso da saúde está dividido em várias áreas, nomeadamente admissão de técnicos, enfermeiros e médicos, com uma previsão de 1500 médicos para a função pública, 100 técnicos superiores de enfermagem e 100 técnicos superiores de diagnóstico. Com o Fundo Salarial gerouse mais vagas para os dois tipos de técnicos e para o regime geral, bem como para actualizações e promoções de carreira. “Com o número de vagas que temos vamos tentar dar solução aos problemas que temos. Este é um começo e no próximo ano vamos fazer mais concurso, nem que tenhamos de recorrer ao Fundo Salarial”, sublinhou Silvia Lutucuta.

‘Angola não é só Luanda’

Importa frisar que, das 7.667 vagas, para a modalidade de ingresso (os profissionais com ou sem vínculo no Estado) estão garantidas 3.032 vagas; para a promoção (dirigida aos funcionários vinculados no Ministério da Saúde e que devem passar para uma categoria imediatamente superior nas carreiras de médico, enfermagem e técnicos de diagnóstico e terapêutica) estão reservadas 2.999. Já para a actualização (funcionários do sector que durante o período em que estavam a trabalhar aumentaram as suas habilitações literárias e conseguiram fazer licenciaturas em medicina, enfermagem e técnicas de diagnóstico e terapêutica) apenas 1.636 vagas. As inscrições para as candidaturas devem ser feitas através do endereço: www.ingresso-minsa. com. “O concurso é nacional e o país não é apenas Luanda”, segundo Óscar Isalino, em entrevista ao jornal OPAÍS, pelo que o objectivo é colocar quadros nos municípios para amenizar os problemas na assistência no que diz respeito aos cuidados primários, situação que não se regista apenas na cidade capital.