Fome e pobreza forçam criação de SOS Quiçama

Com vista a acudir às dificuldades sociais que o município da Quiçama enfrenta, das quais se destacam a falta de alimentos, de medicamentos, vestuários, escolas e hospitais, está em curso a campanha de recolha de donativos que prevê, nos próximos dias, salvar centenas de habitantes em situação de vulnerabilidade social.

A organização não-governamental de Apoio a Jovens e Adolescentes Desfavorecidos e Toxicodependentes está a levar a cabo uma campanha de sensibilização de apoio e recolha de donativos para socorrer os habitantes do município da Quiçama, em Luanda, que, segundo a aquela agremiação, enfrentam dificuldades sociais de vária ordem. Trata-se de alimentos não perecíveis, roupas, produtos de tratamento de água, medicamentos, materiais escolares e outros produtos que começaram a ser recolhidos no princípio deste mês para, posteriormente, serem entregues, no início de Novembro, às famílias e grupos de cidadãos arrasados pela fome e pobreza naquele município rural da capital do país. Segundo a coordenadora do projecto, Carla Tomás, o município da Quiçama tem vindo a passar por sérias necessidades básicas que estão a afectar gravemente a qualidade de vida dos seus habitantes que, dentre várias dificuldades, debatem-se com o problema da falta de alimentos, medicamentos, vestuário, escolas e hospitais.

Conforme explicou, a água que a população consome provém directamente do rio e não sofre nenhum processo de tratamento, o que tem estado a originar o surgimento de muitas doenças, sobretudo as diarreicas, que perigam a vida de dezenas de crianças da circunscrição. De acordo com a activista cívica, dado o período de chuva em que já nos encontramos, caso não se venha a fazer alguma coisa para socorrer as pessoas mais necessitadas daquela parcela de Luanda, muitos moradores poderão ver as suas vidas “por um fio” com o agravar das dificuldades sociais, sobretudo nas zonas mais longínquas, desprovidas de acessos. “Das zonas que visitámos, encontramos pessoas que ficam dias sem comerem nada. É uma pobreza extrema. Não é admissível, porque apesar de estarem num município rural, estão dentro de Luanda. É preciso que se faça alguma coisa para essas populações”, apelou.

Não estão sozinhas

Com cerca de 30 mil habitantes, Carla Tomás explicou que a ideia é fazer com que os produtos recolhidos cubram o maior número de necessitados dessa área, já que, dada a insuficiência de apoios, não será possível acudir a toda a população da Quiçama. “A ideia da criação deste SOS – Quiçama” é mostrar às pessoas que, apesar do sofrimento que passam, elas não estão sozinhas. Mas não podemos esperar que o Estado intervenha em todas esferas da vida social. Nós, os cidadãos de bem, também podemos contribuir na melhoria da qualidade de vida dos que mais necessitam”. Carla Tomás fez saber ainda que, de forma a facilitar as pessoas solidárias, foi já criada uma linha telefónica (997 374 445) para onde estão a ser instruídos e canalizados todos os apoios para quem estiver interessado a juntar-se ao grupo que prevê, até ao final deste mês, recolher o maior número possível de produtos. “Para nós, o que importa é que as pessoas estejam connosco e com os que mais necessitam. Estamos igualmente a envidar todos os esforços para, junto do Ministério da Justiça, fazer com que nos próximos dia haja igualmente uma campanha de registo civil às crianças. É preciso que, para além do apoio material e alimentar por via do Estado, consigamos dar a cidadania às crianças vulneráveis da Quiçama”, apontou. Com uma superfície de 12 mil e 45 quilómetros quadrados, o município da Quiçama possui cinco comunas (Muxima, Cabo Ledo, Demba Chio, Mumbondo e Kixinge) e a sua população dedica- se maioritariamente a actividade agrícola e à pesca artesanal.