Jornalista morreu em interrogatório que correu mal, reconhece Arábia Saudita

As autoridades da Arábia Saudita estarão a elaborar um relatório em que reconhecem a morte do jornalista Jamal Khashoggi, que justificam como o resultado de um interrogatório que correu mal, segundo duas fontes citadas pela CNN.

A estação televisiva CNN cita duas fontes que não são identificadas e avançou que o Governo saudita está a preparar-se para anunciar a morte do jornalista durante um interrogatório. Uma das fontes afirmou que a intenção era sequestrá-lo, situação que não terá sido autorizada pelo Governo de Riade. O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que estava a trabalhar com a Arábia Saudita e a Turquia para descobrir o que aconteceu. Trump considerou o desaparecimento de Khashoggi uma “situação terrível”.

Jamal Khashoggi, um crítico do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, era colaborador do “Washington Post” e vivia nos Estados Unidos desde 2017. Khashoggi não é visto desde o dia 2 de Outubro, data em que se deslocou ao consulado saudita em Istambul.

As autoridades turcas, em conjunto com autoridades sauditas, estão a realizar buscas no consulado saudita em Istambul, duas semanas após o desaparecimento de Jamal Khashoggi. Segundo responsáveis turcos, o jornalista foi assassinado por agentes sauditas.

O Presidente norte-americano, grande aliado do reino de Riade, admitiu no Sábado que a Arábia Saudita possa estar por trás do desaparecimento do jornalista e advertiu que, se for esse o caso, haverá um “castigo severo”.

Em resposta, Riade afirmou no Domingo “rejeitar inteiramente qualquer ameaça ou tentativa de a enfraquecer, seja através de ameaças de sanções económicas, de um recurso a pressões políticas ou derepetição de acusações falsas”.

Bachelet pede suspensão de imunidades A chefe de direitos humanos da ONU, Michelle Bachelet, pediu, ontem Terça-feira, que a Arábia Saudita e a Turquia revelem tudo o que sabem sobre o desaparecimento e possível assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, e disse que Riade deve abrir mão da imunidade de suas dependências e autoridades diplomáticas.

Durante a noite, investigadores turcos entraram pela primeira vez no consulado saudita em Istambul, o último lugar onde Khashoggi foi visto antes de desaparecer no dia 2 de Outubro, e realizaram buscas no local durante nove horas, segundo testemunhas da Reuters.

Em comunicado, Bachelet elogiou o acesso de investigadores ao consultado, apesar de um atraso de duas semanas, e pediu que autoridades dos dois países garantam que “nenhum obstáculo adicional seja colocado no caminho de uma investigação rápida, minuciosa, efectiva, imparcial e transparente”.

Khashoggi, morador dos Estados Unidos, colunista do jornal Washington Post e importante crítico do príncipe saudita Mohammed, desapareceu após entrar no consulado saudita na Turquia para conseguir documentos para se casar.