Cabos roubados em Laúca seriam comercializados na Holanda e Inglaterra

O director do Aproveitamento Hídrico de Laúca, Estevão Elias, garantiu, em exclusivo a OPAÍS , que o furto das bobinas, que pesam entre 200 a 300 quilogramas cada, não prejudicou o trabalho da sua equipa, pelo facto de que as mesmas fazerem parte dos produtos que se encontravam em estoque no armazém.

Duas toneladas de cabo eléctrico de alta tensão roubados, alguns dos quais no armazém da Central de Aproveitamento Hídrico de Laúca, estavam para ser comercializados na Holanda e Inglaterra ao preço de 12 mil Euros, revelou, ontem, o Serviço Provincial de Investigação Criminal de Luanda. O receptador deste material seria uma empresa identificada apenas por HK Metal, que o director do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa, intendente Mateus Rodrigues, não soube precisar se está sedeada em qual dos dois países. O indiciado, natural da República Centro Africana, atende pelo nome de Kalulu e tem 59 anos. Disse que localiza os clientes para a compra de tais matérias, incluindo sucatas, lata e alumínio, através da Internet.

Quanto ao montante que arrecadaria através deste negócio, contou que depende da sorte, tendo exemplificado que o preço do alumínio varia entre 700 a 750 dólares a tonelada. “Todos os países do mundo compram”, afirmou, realçando a Índia, os Emiratos Árabes Unidos, entre outros países asiáticos e europeus. Kalulu, que reside em Angola desde 1991, afirmou estar credenciado pelo Ministério da Indústria, através da sua empresa, denominada Organizações Jatai, a exportar alumínio e lata. O produto tem sido enviado ao exterior por via do Porto de Luanda. O indiciado recusou as acusações que pesam sobre si, alegando que quem comprou o material foi um dos seus funcionários e que se encontrava há dois meses no exterior do país. Afirmou que no seu regresso à Angola, no dia 30 do mês passado, proveniente de Adis Abeba, capital da Etiópia, encontrou-os já no seu contentor.

Em sua defesa, Kalulu disse que o seu funcionário apresentou-lhe, inclusive, o documento comprovativo de um alegado empresário que vendeu os referidos cabos electricos, cortejados em tiras de até um metro, ao preço de 700 mil Kwanzas. “É primeira vez que vi esse material. Eu compro sucata, lata e alumínio”, frisou. Indagado sobre se não suspeitou que estivesse diante de um produto roubado, esclareceu que só tem comprado sucata. “É a primeira vez que vejo esses cabos limpos”. Além dos países europeus acima mencionados, comercializa também esse material em Luanda. O suspeito disse que se dedica à exportação de tais produtos desde 1995. Para fazer prova de que tem a situação migratória legalizada, apresentou um cartão de residência que foi submetido para apreciação dos técnicos do Serviço de Migração e Estrangeiros para aferir a sua legalidade. Os materiais foram apreendidos, por voltas das 15horas do passado dia 5 do corrente mês, num contentor de 20 pês que seria supostamente enviado à Europa.

Assalto em Lauca

As duas toneladas de cabos eléctricos de alta tensão fazem parte de um leque de “bobinas” roubadas dos armazéns da Central de Laúca em duas ocasiões, final do ano passado e princípio deste ano, segundo apurou OPAÍS. “De facto, nós registamos aqui alguns furtos de bobinas de cabos de cobre. Inclusive estavam identificadas as pessoas que cometeram esse delito, mas não foram apanhadas na altura”, disse Estevão Elias, director do Aproveitamento Hídrico de Laúca. Em declarações exclusivas a OPAÍS, não descartou a possibilidade aventada pela Polícia Nacional de que os materiais terão sido comercializado por antigos funcionários da instituição que dirige. Esclareceu tratar-se de funcionários da empresa de segurança que auxiliavam na protecção do local.“Não lhe posso afirmar taxativamente que é o nosso material, mas apercebemo- nos que o material que foi aqui furtado estava algures em Luanda”, frisou. Estevão Elias explicou que cada bobina pesa entre 200 a 300 quilogramas, razão pela qual os infractores cortam e comercializam a granel. Para evitar que situações do género voltem a acontecer, foi reforçada a presença de efectivos da Polícia em Laúca e da empresa de segurança nos armazéns.