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Empresários de Benguela querem mais investimentos na indústria

Em nome do empresariado da província de Benguela, Carlos Vasconcelos acredita em dias melhores na economia nacional, e afirma que ainda não há condições para exportações e que o Estado devia apoiar as iniciativas viradas para os sectores da agricultura e da indústria.

Pela sua localização estratégia (litoral centro), potencialidades agrícolas e pelo número de indústria que possui, a província de Benguela é o segundo pólo de desenvolvimento económico do país. Apesar de precisar de mais investimentos em infra-estruturas, o presidente da Câmara de Comércio de Benguela encara o futuro com muita esperança. Carlos Vasconcelos considera que “o Presidente João Lourenço está muito próximo de cumprir as promessas que fez enquanto candidato. Agora mesmo anunciou uma revolução empresarial para o sector privado, facto que me acalenta muito”, considerou. Para ele, o Executivo ganhou consciência de que as pequenas e médias empresas é que podem fazer crescer o país. “Perante o actual quadro, o empresariado de Benguela entende que o Estado devia fazer mais investimentos nas infra-estruturas ligadas aos sectores da agricultura e da indústria, por influenciarem directamente no comércio. Sem agricultura e indústria não há comércio”, afirmou. O comércio, segundo ele, não pode viver das importações. Por isso, precisa de ser apoiado pela agricultura e pela agro-indústria.

Exportação ainda não é prioridade Respondendo aos recentes acordos que põem fim à dupla tributação com Portugal e China e fomentam as exportações para estes países, Carlos Vasconcelos afirma que, com o défice existente em termos de produção, não se pode pensar já na exportação, pois o mercado nacional absorve tudo o que se produz. “Não podemos deixar de tributar aquilo que deve ser tributado. Penso que devemos analisar com profundidade, pois não podemos aplicar este princípio em alguns casos, no sentido de defendermos o interesse nacional”, considerou. Focando-se concretamente ao caso de Benguela, Carlos Vasconcelos diz que o empresariado ainda não tem condições para exportar, de forma continuada, alguns produtos.

Deu exemplo de alguns mariscos, cujo processo de exportação já tinha começado, mas que depois foi interrompido. As causas do fracasso, segundo o interlocutor, estão ligadas à falta de condições para o funcionamento da cadeia logística. “Se apostarmos na exportação será apenas para fazer demostração, pois não temos condições para sustentar os outros mercados que são muito exigentes”, disse. Sublinha que há produtos que queremos exportar, no entanto, o país ainda não atingiu a auto-suficiência. E quando são exportados, o mercado sente a falta destes bens em alguns casos de primeira necessidade. À cautela, “é preciso muito trabalho para que Angola passe de país importador à exportador”.

Futuro encarado com optimismo

Noutra vertente da conversa, Carlos Vasconcelos disse encarar o futuro com mais optimismo. O também empresário, que fala em nome dos seus colegas da província de Benguela, diz que “há sinais claros da banca em termos de apoio ao empresariado. No início do ano muitos empresários fecharam as portas, mas agora parece que já há retoma das divisas, o que nos faz pensar num futuro melhor”, augura.

Potencialidades

Situada no litoral centro do país, a província de Benguela tem fortes potencialidades na agricultura, sobretudo nos municípios localizados no interior. Ao longo do litoral, é a pesca e que comanda a vida, com o município da Baía Farta a ser o expoente máximo. A indústria vai dando sinais de retoma, mas de forma lenta, porque aí há falta de energia eléctrica. O porto do Lobito e Caminho-de-ferro de Benguela, por enquanto, são os dois pulmões da economia local.

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