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Estudo aponta para redução da pobreza em Angola

No Plano Nacional de Desenvolvimento (PDN ) 2018/2022, o Governo angolano prevê reduzir a taxa de pobreza de 36% para 25% e retirar três milhões de pessoas da situação extrema de pobreza até o fim do quinquénio

POR: Iracelma Kaliengue

Um estudo apresentado em Luanda pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em alusão ao Dia Mundial para a Erradicação da Pobreza, aponta para uma redução da taxa de pobreza multidimensional em Angola, que é de 51,2% em 2018, contra os 77,4 por cento em 2011 Os dados apresentados contradizem os indicadores do Governo angolano que aponta para um nível de 36% para o corrente ano. O relatório indica que os dados mais recentes mostram que um em cada três angolanos (36,6 por cento) vive em pobreza extrema, abaixo da linha da pobreza nacional.

Entretanto, o período em análise indica que 30,1% da população vive de USD 1,90/dia, 55,7% de USD 3,20/dia e 36,6% na linha de pobreza nacional, segundo o relatório do Índice de Pobreza Multidimensional (IPM). Segundo o Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) 2018/2022, o Governo angolano prevê reduzir a taxa de pobreza de 36% para 25% até ao fim do quinquénio. O Programa de combate à fome e à pobreza prevê ainda, até 2022, retirar 3 milhões de pessoas da situação extrema de pobreza, segundo o secretário de Estado para a Acção Social, Lúcio do Amaral, que acrescentou que as administrações municipais já recebem verbas mensais para apoiar as famílias mais carenciadas. De acordo com o director do PNUD em Angola, Henrik Fredborg Larsen, a redução do IPM no país foi impressionante nos últimos anos, fruto das políticas gizadas pelo Governo angolano.

O IPM inclui as dimensões essenciais, usando dez indicadores que podem ser identificados ao longo do estudo. Os dez indicadores ilustram diferentes privações que condicionam os seres humanos como o acesso à água, energia eléctrica, educação, saúde, entre outros. Nos mais de 100 países considerados no estudo, cerca de 1,3 mil milhões de pessoas vivem em pobreza multidimensional, o que representa 23,3% da população total analisada no estudo (5,7 mil milhões). Apresentado no âmbito do Dia Internacional pela Erradicação da Pobreza/2018, assinalado ontem, Quarta-feira (17), o estudo indica que 50% dos pobres globais são crianças, 84% vivem na área rural e 46% em pobreza severa.

ÍPM global 2018

O IPM global 2018 inclui três dimensões de pobreza, nomeadamente a saúde, educação e padrões de vida. Em Angola, a taxa de incidência da pobreza multidimensional, ou seja, a proporção da população total considerada pobre foi estimada em 51,2%, sendo 88,2% na área rural e 29,9% na área urbana, com base no Inquérito de Indicadores Múltiplos e de Saúde (IIMS 2015-2016). A taxa de pobreza multidimensional diminui significativamente em comparação com a última estimativa da OPHI de 2011, que apontava uma taxa de pobreza de 77,4%, com base em inquéritos de 2001. A intensidade média da pobreza, que representa a proporção média das dimensões nas quais os pobres sofrem privações, foi estimada em 55,3%, sendo 59,3% na área rural e 48.5% na área urbana. O produto entre a taxa de incidência e a intensidade média contribuiu para um IPM nacional de 0,283. Existem disparidades significativas entre as províncias, tendo Luanda registado um menor IPM (0,07), comparado com o maior IPM, do Bié (0,48).

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