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Portugal campeão na subida da esperança de vida

Em 2040, Portugal vai saltar para o top 5 dos países onde se vai viver até mais tarde e terá a maior subida entre os mais ricos, noticiou, ontem o Diário de Notícias

Daqui a pouco mais de 20 anos, Portugal vai estar no top 5 dos países com maior esperança média de vida. Um estudo do Institute for Health Metrics and Evaluation (Instituto para as Métricas e Avaliação em Saúde, ligado à Universidade de Washington), financiado pela Fundação Bill e Melinda Gates e publicado esta semana na Lancet, mostra que Portugal vai dar um verdadeiro pulo nesta área, da 23ª para a 5ª posição, numa tabela com 195 países que em 2040 será liderada pelo outro país ibérico, a Espanha.

Portugal merece mesmo destaque por ser o que mais aumenta a esperança média de vida entre os países desenvolvidos, passando dos 81 para os 84,5 anos, apenas 1,3 anos atrás do espanhóis. E estes bons resultados dos países ibéricos em termos de longevidade não são por acaso, já que, obviamente, a par da aposta na Saúde pública, – que em Portugal tem passado, por exemplo, pelo combate aos produtos com excesso de açúcar – a dieta mediterrânica é apontada como um dos factores para o sucesso espanhol, que deve destronar o Japão do primeiro lugar deste ranking (Singapura e Suíça são os outros países a completar a lista dos cinco primeiros).

Em Espanha, as principais causas de morte em 2016 foram as doenças cardiovasculares, cancros – tal como em Portugal -, infecções respiratórias e doenças degenerativas como o Alzheimer, que deve ganhar mais peso daqui a vinte anos.

“Entre os países mais ricos, a maioria tem previsões que apontam para subidas entre um e três anos de esperança de vida; uma excepção é Portugal, que tem um ganho previsto de 3,5 anos” Esse é, aliás, um dos pontos a destacar do estudo agora publicado, a descida global das mortes provocadas pelas chamadas doenças de notificação obrigatória (onde estão as hepatites, mais comuns, mas também doenças que afectam os países em desenvolvimento, como a malária, dengue, difteria), incluindo o VIH, e o aumento nos países ocidentais do peso dos cancros, assim como de doenças respiratórias, doenças digestivas, degenerativas e mais ligadas a estilos de vida, como a cirrose ou a dependência do tabaco. O tabaco e a hipertensão são mesmo destacados como os dois factores de risco mais preocupantes para a saúde a longo prazo.

“A excepção” pela positiva Esses são os maiores travões à subida da esperança média de vida nos próximos anos, uma subida onde Portugal será ponta-de-lança no contexto dos países desenvolvidos, como os investigadores sublinham. “Entre os países mais ricos, a maioria tem previsões que apontam para subidas entre um e três anos de esperança de vida; uma excepção é Portugal, que tem um ganho previsto de 3,5 anos”.

“Muito boas notícias” para Maria Filomena Mendes, presidente da Sociedade Portuguesa de Demografia, que explica parte da receita para estes bons resultados esperados. “A ciência e a tecnologia permitem detectar doenças cada vez mais cedo e que não se morra de problemas que eram fatais, como um enfarte.

O SNS (Sistema Nacional de Saúde) permitiu grandes conquistas, há uma maior diferenciação na área da medicina. E, a par de questões que já foram faladas, como a dieta, há um aumento geral da instrução, da literacia em saúde, que nos leva a pensar em ter estilos de vida saudáveis desde criança”. É claro que as boas notícias trazem também um desafio extra ao sistema, quer de saúde, como de segurança social.

O envelhecimento da população obriga a rever um sistema de saúde até aqui muito centrado nos hospitais e o aumento de doenças como o cancro e a transformação do VIH numa doença crónica, que mata cada vez menos, coloca pressão nos gastos com medicamentos.

“É verdade que essas doenças que eram fatais tornam-se crónicas. É por isso que é fundamental promover hábitos de vida saudáveis, tal como é fundamental o papel da ciência e tecnologia para combater essas doenças”, argumenta Maria Filomena Mendes.

“Além disso, quando sabemos que os gastos mais elevados em saúde são no último ano/ano e meio de vida dos doentes, quanto mais se empurrar a idade da morte, mais conseguimos também adiar esses gastos mais elevados, porque entretanto alguns desses medicamentos ficam mais baratos.”

Quatro países não chegam aos 65 anos A manterem-se as condições analisadas pelos investigadores, que estudam o impacto de 79 factores, onde se inclui o acesso à água potável, o Índice de Massa Corporal, o rendimento per capita ou o tabagismo, o Lesotho estará no fundo da tabela da esperança média de vida em 2040, com 57,3 anos – ainda assim com uma subida acentuada em relação a 2016, ano em que quem nascia no país podia esperar viver apenas cerca de 50 anos.

Apesar das melhorias, a República Centro Africana, Somália e Zimbabué são outros países onde as projecções ficam abaixo dos 65 anos. “Num número substancial de países, demasiadas pessoas vão continuar a ter rendimentos relativamente baixos, a ter pouca instrução e a morrer prematuramente”, aponta Christopher Murray, um dos responsáveis pelo estudo.

O lesotho estará no fundo da tabela da esperança média de vida em 2040, com 57,3 anos Outros países africanos, entre os quais está Moçambique, conseguem ganhos significativos, na ordem dos nove anos de vida; o Brasil consegue uma subida de mais de três anos, para os 78; e na Ásia, a China sobe mais de cinco e chega a uma esperança de vida de quase 82 anos.

Este será um dos 59 países onde quem nascer em 2040 pode esperar viver pelo menos 80 anos. Curiosamente, os Estados Unidos da América (79,8 anos) não fazem parte desse grupo. Aliás, o gigante americano cai mesmo na tabela, de 43º para 64º. O Reino Unido (83,3 anos) também aparece fora do top 20, em 23º lugar.

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