Migrantes continuam viagem pelo México apesar do medo de operações e dos narcotraficantes

Depois de passar a segunda noite em território mexicano, milhares de hondurenhos sem documentos preparam-se nesta Segunda-feira para continuar a sua viagem rumo aos Estados Unidos, apesar do temor de detenção e deportação a qualquer momento ou de sequestro por narcotraficantes.

‘Sabemos bem que este país não nos recebe como esperávamos e que podem nos devolver às Honduras. Também sabemos que há narcotraficantes que sequestram e matam os migrantes”, disse Juan Carlos Flores, 47 anos. “Mas vivemos com mais medo no nosso país, então seguimos em frente”, completou. Nas Honduras, país afectado pela violência e altos índices de pobreza, “a vida não vale nada, se você deseja continuar vivo tem que andar atento o tempo todo. Sabemos nos cuidar”, explica. Quase 3.000 migrantes sem documentos chegaram no Domingo a Tapachula (Chiapas), depois de uma caminhada de mais de sete horas a partir de Ciudad Hidalgo, na fronteira entre México e Guatemala.

Em poucos minutos, os integrantes do grupo caíram exaustos na praça principal da cidade. A sua intenção original era entrar no país através da ponte internacional, passagem oficial entre Guatemala e México. Mas o governo mexicano fechou a fronteira na Sexta-feira, ante a expectativa da chegada dos hondurenhos. Muitos, como Flores, desistiram de pedir refúgio ou visto humanitário e optaram por cruzar o rio Suchiate a nado ou em balsas precárias. Pouco mais de 700 que entraram legalmente, segundo as autoridades mexicadas, estão em abrigo do governo que muitos migrantes evitam pelo medo de deportação. Os hondurenhos partirão nesta Segunda-feira para Huixtla, outra cidade de Chiapas, onde pretendem recuperar forças antes de seguir até Tijuana ou Mexicali, próximas dos Estados Unidos, seu destino final a mais de 3.000 quilômetros de distância.

O presidente Donald Trump advertiu no Domingo que “todos os esforços” estão sendo feitos para “deter o ataque” de migrantes na fronteira Sul dos Estados Unidos. Primeiramente, estas pessoas têm que solicitar asilo no México. Caso não o façam, os Estados Unidos irão recusá-las”, escreveu no Twitter. Mas uma segunda caravana de quase mil hondurenhos iniciou no Domingo a travessia a pé a partir da Guatemala para chegar à fronteira com o México, na viagem rumo aos Estados Unidos. O trajecto pelo México pode durar um mês. A actual caravana percorreu mais de 700 km a partir da cidade hondurenha de San Pedro Sula, de onde o grupo inicial partiu em 13 de Outubro, incluindo muitas mulheres e crianças. Policiais mexicanos interceptaram migrantes para “convidá- los” a abrigos, onde solicitariam refúgio ou vistos. Muitos recusaram a oferta pelo temor de uma armadilha para seu repatriamento. Sem documentos, os migrantes ficam na clandestinidade ao longo de milhares de quilômetros e à mercê da acção de traficantes de pessoas ou drogas.

Nova caravana de hondurenhos inicia na Guatemala travessia rumo aos EUA

Uma segunda caravana, de quase mil hondurenhos, iniciou neste domingo na Guatemala uma travessia a pé até a fronteira com o México, com o objectivo de chegar aos Estados Unidos, seguindo o exemplo de uma caravana que já está em solo mexicano, informaram a imprensa local e a polícia. A longa fila de hondurenhos saiu do povoado de Esquipulas, onde pernoitou no Sábado após entrar na Guatemala pelo posto fronteiriço de Agua Caliente, mostram imagens divulgadas no Twitter pela emissora de rádio Emisoras Unidas. Uma fonte da polícia da Guatemala que pediu para não ser identificada confirmou a veracidade das imagens e informou que o grupo reuniria cerca de mil pessoas.

Trump diz que ‘todos os esforços’ estão sendo feitos para deter caravana de migrantes hondurenhos

O presidente americano, Donald Trump, afirmou neste Domingo que “todos os esforços” estão sendo feitos para “deter o ataque” de milhares de migrantes hondurenhos que caminham em caravana do México para os Estados Unidos. “Todos os esforços estão sendo feitos para impedir que o ataque de estrangeiros ilegais atravesse a nossa fronteira ul”, publicou o presidente no Twitter. “Primeiramente, estas pessoas têm que solicitar asilo no México. Caso não o façam, os Estados Unidos irão recusá-las.” “As caravanas são uma desgraça para o Partido Democrata. Mudem AGORA as leis migratórias”, acrescentou em um segundo tuíte, após acusar os democratas de terem incentivado as migrações em massa para os Estados Unidos. Milhares de hondurenhos avançavam neste Domingo para os Estados Unidos a partir de Ciudad Hidalgo, no Sul do México, enquanto outros aguardavam em uma ponte fronteiriça para entrar legalmente em território mexicano. Autoridades mexicanas tiveram sucesso, num primeiro momento, em bloquear a caravana, mas muitos hondurenhos conseguiram entrar ilegalmente naquele país.