Caravana de imigrantes incentiva republicanos

A maioria partiu das Honduras. Em El Salvador e na Guatemala, definitivamente, uns tantos milhares juntaram-se ao grupo quando este atravessou as suas fronteiras em direcção ao México. Hoje são mais de sete mil. A chegada ao México aconteceu depois de uma marcha de seis dias, durante os quais calcorrearam cerca de 760 kilómetros.

Pela frente vem a parte mais difícil : atravessar o México e chegar à fronteira dos Estados Unidos. Indo em direcção ao Texas, terão pela frente 1783 kilómetros, distância que se faz em 15 dias. Os mais arrojados, há uns tantos, preferem fazê- lo pela fronteira com a Califórnia. Para lá chegarem terão que percorrer 4221 kilómetros, o que os obrigará a estar na estrada durante 37 dias. Não há garantias de que consigam chegar a qualquer um dos pontos . O México ofereceu a todos a possibilidade de solicitarem asilo político, oferta ignorada pela maioria. Prevendo que tal pudesse acontecer, colocou militares em pontos que tornam muito difícil a progressão do grupo. Alguns fazem o trajecto recorrendo à boleia em comboios e camiões. Porém, a circunstância de se tratar de um grupo elevado, não permite à maioria a mesma hipótese. A hipótese remota de chegarem a qualquer ponto que faça fronteira com os Estados Unidos deixará os que isso conseguirem perante o maior desafio desta aventura.

O argumento de que deixaram os seus países em busca de segurança não encontra apoio nos Estados Unidos. Na verdade este caso, tornou- se num bom argumento de campanha para Donald Trump, cujo partido está pontos abaixo nas projecções que se fazem relativamente às eleições intermédias de 6 de Novembro próximo. Nesse dia vão a votos todos os lugares da câmara dos Representantes, um terços do Senado e um terço dos governos estaduais. Em declarações que prestou na últimas horas, Trump diz haver entre os emigrantes gangs e cidadãos do médio oriente. O estigma à volta de um e de outro grupo é forte e um pronunciamento nesse sentido tem ressonância junto do seu eleitorado. Durante a campanha, Donald Trump prometeu executar uma política de imigração apoiada na construção de um muro para marcar a fronteira entre os EUA e o México.

O presidente dos Estados Unidos disse que movimentaria o exército, caso venha a ser necessário. Os que preferirem chegar ao Texas, se forem bem sucedidos, atingirão a fronteira um dia após as eleições. Na Segunda-feira, num comício de apoio à reeleição do senador Ted Cruz, do Texas, Donald Trump disse que a coluna de imigrantes representava um assalto aos EUA. Horas antes tinha dito que de tratava de uma situação de emergência.Esta é a segunda vez este ano que um numeroso grupo de imigrantes tenta forçar a entrada nos EUA alegando questões humanitárias. Em Abril, um grupo que partira do Sul dos México, com o mesmo propósito e com a mesma dimensão, chegou à fronteira com os Estados Unidos, partindo em vários sub-grupos. Uma parte ficou na Cidade do México, outra parte dispersou-se pelo caminho. A maior parte dos que chegaram aos Estados Unidos, acabaram detidos e encaminhados para centros de acolhimento de onde têm sido deportados.