Erdogan: “Temos certeza de que Khashoggi foi assassinado no consulado saudita”

Erdogan diz que estiveram envolvidas duas equipas sauditas no assassinato do jornalista e que este foi um crime “selvagem” e “premeditado”. E pede que os 18 detidos sejam enviados para Istambul Não restam dúvidas ao presidente turco sobre quem está envolvido na morte do jornalista saudita Jamal Khashoggi nem sobre onde o colaborador do The Washington Post foi morto. “Temos certeza de que Khashoggi foi assassinado no consulado saudita”, revelou Recep Tayyip Erdogan que ontem Terçafeira de manhã se dirigiu ao parlamento em Ancara para revelar as conclusões do inquérito à morte do jornalista saudita. Envolvidos no crime estão duas equipas sauditas, das quais fazem parte generais.

O crime foi premeditado e selvagem, garante o presidente turco. Na véspera, Erdogan tinha prometido contar “toda a verdade sobre o caso”, apesar da sabida necessidade de preservar as relações diplomáticas entre Ancara e Riade. Ontem, três semanas depois do desaparecimento do jornalista do consulado saudita em Istambul, não há como negar que aquele foi o local do assassinato. As autoridades de Riade já tinham admitido, durante a passada semana, que o jornalista crítico do regime foi morto no interior da missão diplomática na Turquia, na sequência de uma troca de murros. Sobre a autoria do crime, Erdogan fez também algumas revelações. Estiveram envolvidas no assassinato de Jamal Khashoggi duas equipas sauditas, uma delas constituída por nove pessoas. Essa equipa, da qual faziam parte generais, terá viajado para a Turquia a partir da Arábia Saudita, explicou Erdogan no parlamento.

Crime “selvagem” e “planeado” A investigação levada a cabo pelas autoridades turcas demonstram que a morte de Jamal Khashoggi foi um crime premeditado e, nas palavras de Erdogan, “selvagem”. “Havia um plano que começou a ser delineado a 28 de Setembro, durante a primeira visita de Khashoggi ao consulado”, sublinhou o presidente turco. Já depois dessa data, a 1 de Outubro, véspera do desaparecimento do jornalista, as duas equipas sauditas levaram a cabo explorações no bosque de Belgrado e na cidade de Yalova. Lembrando que as autoridades sauditas anunciaram a detenção de 18 pessoas, 15 das quais estarão envolvidas no crime, o chefe de Estado turco deixou no ar várias questões. “Por que chegaram a Istambul estas 15 pessoas no dia do crime? De quem receberam ordens para se deslocar aqui? Por que é que o consulado só deu ordem para investigar vários dias depois? Por que é que não aparece o cadáver de alguém que já se sabe ter sido assassinado?”, interrogou-se Erdogan. As respostas que o presidente turco tem para dar são outras. “As provas indicam que Khashoggi foi assassinado de maneira selvagem e que trataram de encobrir o crime.

As provas indicam, sem lugar para dúvidas, que o crime foi premeditado”, sublinhou o presidente turco. Pelo caminho deixou um apelo ao monarca do país de origem do jornalista assassinado. “Apelo à Arábia Saudita, ao rei Salman, guardião das duas mesquitas. O crime foi cometido em Istambul. Peço-lhe que envie esses 18 detidos para serem julgados em Istambul. A decisão é sua, mas esta é minha proposta, o meu pedido.” Jamal Khashoggi, 59 anos, entrou no consulado da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia, no dia 2 de Outubro, para obter um documento para casar com uma cidadã turca e nunca mais foi visto. Jornalista saudita residente nos Estados Unidos desde 2017, Khashoggi era apontado como uma das vozes mais críticas da monarquia saudita. Entretanto, a Arábia Saudita reconheceu já que o jornalista foi morto no seu consulado em Istambul durante uma luta, referindo que 18 sauditas estão detidos como suspeitos, anunciou a agência oficial de notícias SPA. A agência estatal de notícias saudita SPA revelou também que um conselheiro próximo do príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, foi demitido, juntamente com três líderes dos serviços de inteligência do reino e oficiais.