Maternidade esclarece caso de parturiente de quem se diz que está em estado crítico

A directora-geral do hospital Augusto Ngangula, Lígia Alves, assegurou que a paciente Catarina André está a involuir bem, tendo garantido que a equipa médica continua a acompanhá-la sem obstáculos

Texto de: Stela Cambamba

A denúncia pública segundo a qual uma equipa de técnicos da Maternidade Augusto Ngangula teria, supostamente, deixado um objecto, ainda não identificado, no ventre de uma paciente depois de várias cirurgias, está a ser contestada pela sua direcção.

Em entrevista a OPAÍS, Lígia Alves, a directora da Maternidade, esclareceu que Catarina André, de 21 anos, chegou no banco de urgência, no dia 23 de Maio, com o trabalho de parto já iniciado fora da instituição. As consultas de pré-natal não foram seguidas no hospital em referência. Entretanto, foi submetida a quatro cirurgias e não houve erro médico.

Segundo ela, a estrutura física da parturiente, apesar de ter a idade acima mencionada, faz com que não tenha uma bacia compactível para ter um parto normal (via vaginal), razão pela qual, foi submetida a uma cesariana que decorreu sem intercorrência, e, tanto ela como o bebé receberam alta.

 

Confirmou que dois meses depois voltaram a receber a paciente, queixando-se de dores abdominais. Entretanto, a equipa médica que estava de serviço recebeu- a, tendo-a submetido de seguida a vários exames. Onde se constatou que padece de uma peritonite (infecção dos órgãos internos do abdómen).

Atendendo o estado avançado da doença, houve necessidade de ser encaminhada ao bloco operatório com a máxima urgência. No decorrer da cirurgia, segundo a especialista em ginecologia e obstetrícia Lígia Alves, encontraram pus na cavidade abdominal, afectando o intestino.

Por se tratar do abdómen, houve a necessidade de fazer várias sessões de limpeza, submetendo- a a quatro intervenções cirúrgicas a fim de evitar o pior. Disse que a sua equipa só deu por terminada a limpeza quando se aperceberam que a paciente já não corria risco de vida. Depois de cerca de dois meses internada na maternidade Augusto Ngungula, a jovem recebeu alta médica, com a incumbência de se deslocar frequentemente ao hospital para fazer curativos ou quando houvesse necessidade, de acordo com a nossa interlocutora.

“Apesar de termos um enfermeiro no hospital que é parente da Catarina, nunca o delegamos para fazer acompanhamento fora da maternidade, mas orientamos a família para que ela pudesse aparecer na instituição uma ou duas vezes por semana para acompanharmos a sua evolução. A verdade é que ela apareceu apenas duas vezes”, declarou.

Por outro lado, atribuiu aos familiares da parturiente a responsabilidade de a ferida ter inflamado, em consequência de não a levarem à consulta para tratamento ambulatório. Não obstante, garantiu que a situação está normalizada e que a saúde reprodutiva dela permanece estável. “A Catarina está a evoluir bem. A equipa médica continua a acompanhar a paciente sem obstáculos”, frisou.

Lígia Alves garante que no acto das consultas externas, a instituição dispensa uma ambulância para levá-la até casa, tendo em conta que a família carece de recursos financeiros. Depois de OPAÍS ter publicado, no Domingo, uma notícia dando conta do estado de saúde da paciente, na Segunda-feira a direcção do hospital enviou uma ambulância para ir buscar a Catarina a fim de fazer consulta.

A especialista em ginecologia e obstetrícia afirmou que ela chegou um pouco debilitada, em consequência das cirurgias que sofrera, mas a ferida está quase sarada. Não tem dificuldade de satisfazer as necessidades fisiológicas, isto é, defeca e urina normalmente.

“Quando a ambulância chegou à sua residência, a Catarina não se encontrava em casa, estava em casa de algumas amigas. O bebé estava com a avó”. Questionada sobre o bebé, disse que está a mamar leite industrializado e a sua instituição ofereceu duas latas de leite para a criança e uma para a mãe.