Produção de sal com défice de 150 mil toneladas por ano

O défice da produção de sal no país ronda as 150 mil toneladas, facto que leva as autoridades a importar o produto. Apesar deste quadro, Fernando Solinho diz que o que se produz localmente continua a não ser bem aproveitado.

Entrevistado em exclusivo pelo OPAÍS, Fernando Solinho reconheceu que a produção nacional ainda não satisfaz as necessidades de consumo. “De forma alguma, de acordo com a previsão de consumo, estima-se que são cerca de 200 mil toneladas ano de consumo interno. Portanto, de acordo com a produção real, o pais produz pouco mais de 50 mil toneladas/ ano. Nesse pressuposto, é natural de que tenhamos de importar o diferencial”, afirmou. Para ele, algo de anormal ainda se vive na colocação do sal comum nacional no mercado, explicando que a província do Namibe, com uma capacidade instalada para produzir 50 mil toneladas actualmente produz cerca de 10 mil toneladas/ano. Mas, paradoxalmente só a Empresa SALDOSOL, Lda. produz cerca de 6 mil toneladas/ano e tem um stock de quatro mil toneladas sem mercado interno. Afirma que o fenómeno só tem explicação porque ainda se importa esse produto ao invés de se consumir o nacional. “Um dos factores para esse comportamento dos importadores está relacionado com um dos métodos ilícito de exportar capital. Só pode. Como tal apelamos aos órgãos que interferem na autorização de importação, que analisem antes de decidirem”, sugeriu.

Concorrência desleal

A concorrência desleal tem a ver com os importadores que mesmo sabendo da existência de sal no mercado continuam a aliciar o comércio externo. O empresário diz que o sal dispensa comparação de preços entre o produto nacional e o importado. Entretanto, sublinha que “somente conseguiremos atingir a excelência de qualidade e concorrência com o produto externo, quanto a prioridade for o consumo interno. Com larga experiência no sector salineiro, Fernando Solinho lembra que o sal é um dos produtos da cesta básica considerado indispensável. Sendo assim, prossegue, “ele não tem mercado direccionado, tem mercado em todo território, mas, como é óbvio, a província de Luanda absorve cerca de 60% da produção nacional”, avançou.

Mais de 6 mil toneladas até final do ano

A perspetiva de produção para a SALDOSOL, Lda. Namibe para o ano corrente é de 6 mil toneladas, de acordo com a sua capacidade instalada. Solinho lamenta o facto de ” tudo que se produz no país é efeito com a ausência parcial ou total de energia e água. São dois itens que fazem com que os custos sejam muito elevados. As salinas no geral e a SALDOSOL, em particular, vivem com esse défice. Soubemos do grande esforço que o Executivo vem fazendo, mas esse ainda é um factor de estrangulamento”, disse. Acrescentou que no caso da província do Namibe existem ainda outros factores de estrangulamento, citando o caso da transportação. Disse que para colocar produto de norte a sul do país tem sido uma tarefa muito difícil, realçando as estradas do troço Benguela/Luanda como um dos principais. Outro problema tem a ver com a extinta Cabotang, que ligava o país de Namibe/Cabinda por via marítima e com preços acessíveis. “Essa situação foi adormecida durante anos pelo anterior Ministro dos Transportes. Apelamos ao novo elenco que relance a actividade de cabotagem com urgência”, solicitou. A SALDOSOL, Lda foi fundada em 15 de Outubro de 1993, produz 6 mil toneladas/ano e emprega 102 trabalhadores. O Brasil, um país que é “próximo”, é um bom caso para ser estudado, pois implementou este sistema no começo dos biocombustíveis ”, segundo empresários.