Transporte escolar ‘acidenta’ no Kilamba e faz um morto

Um acidente de viação, envolvendo um mini-autocarro que serve de transporte escolar do Colégio GL e outra viatura, vitimou mortalmente a vigilante da referida instituição, ontem, na Centralidade do Kilamba, e deixou feridas nove crianças. A Polícia faz a peritagem para descobrir quem desrespeitou as regras de trânsito.

Na tarde de ontem, sensivelmente às 13h45min, o cruzamento entre os Quarteirões K, J, H e G registou um acidente envolvendo um mini-autocarro e uma viatura de marca Suzuki Alto. O mini-autocarro pertencente ao Colégio GL fazia a distribuição dos estudantes desta instituição na Centralidade do Kilamba. O embate entre as duas viaturas foi tão forte que o mini-autocarro capotou. A vigilante do colégio Mileuvina Lourenço, de 30 anos, não resistiu e teve morte imediata, porque sofreu um traumatismo fatal, com lesão craniana e abdominal, hemorragia interna, pois a mesma tinha coagulamento no abdómen e saída de sangue pelos ouvidos e nariz. Inicialmente o Banco de Urgência do Hospital Geral de Luanda (HGL) recebeu 10 pacientes, dos quais nove crianças e um adulto, tendo este chegado já sem vida.

Os que precisaram de maior intervenção clínica foram duas crianças de nove anos, sendo que uma teve fractura aberta da tíbia e perónio esquerdo e outra que apresentava ferida com pulsão e lesão tendinosa e vascular da mão esquerda. “A primeira criança recebeu o tratamento com tala engessada, fixação do osso e, a pedido dos familiares, foi encaminhada à Clínica da Endiama. A outra recebeu os tratamentos iniciais e está a ser abordada pela equipa de ortopedia. Os restantes pacientes, com lesões leves, já receberam alta, com a excepção de uma menina que se queixa de dores e que ficará em observação mais algumas horas”, disse, o cirurgião geral do HGL, Mateus Campos. Depois de alguns minutos, a equipa do mesmo colégio levou mais cinco crianças ao hospital, que se queixavam de dores e, depois de observadas, foi-lhes dada alta.

Quanto à menina internada, o estado não é grave, segundo o que nos garantiu o médico, fará apenas alguns exames de observação. O director do colégio GL, Mário Fançony, lamenta a situação e pede desculpas aos familiares dos alunos e os pêsames à família enlutada. Sem saber concretamente o que terá motivado o acidente, espera-se que a Polícia faça o seu trabalho. Entretanto, aproveitou a oportunidade para desmentir as informações postas a circular nas redes sociais de que morreram cinco crianças, pelo que o único infortúnio é da vigilante Mileuvina Lourenço, com a qual o colégio trabalhava há 3 anos. “O motorista, neste momento, está com a Polícia para prestar todos os esclarecimentos, nós estamos à disposição para prestar todo e qualquer apoio”, disse. O colégio existe há cinco anos e o responsável garantiu que não é a primeira vez que o motorista da sua instituição faz aquela rota, pelo que se se tratou de excesso de velocidade o motorista será responsabilizado.

Excesso de velocidade pode estar na causa

O jornal OPÁIS contactou o Inspector- chefe Mandinga, da secção de acidentes da Unidade de Trânsito de Luanda, que disse tratar-se de excesso de velocidade e desrespeito da cedência de passagem. De forma preliminar, “é o que podemos avançar, pelo que estamos a fazer a peritagem e saberemos exactamente o que aconteceu e se falhou o motorista do colégio ou o condutor do Suzuki”, reforçou. Algumas crianças com ferimentos ligeiros nos braços, pernas e cabeça, muitas delas ainda com o uniforme do colégio ensanguentado, tentavam gerir o trauma, sentados no corredor do Hospital Geral de Luanda. O governador da província, Adriano Mendes de Carvalho, esteve na referida unidade hospitalar para se inteirar do estado de saúde das vítimas e acalmar os meninos, tendo roubado o sorriso de três meninos ao perguntar-lhes qual era o clube de futebol por que torciam e à menina internada com uma promessa de trazer-lhe uma boneca. Por outra, orientou ao director do colégio para que dê o total apoio à família enlutada, opte por instalar, nos seus autocarros um dispositivo de controlo de velocidade e troque os uniformes ensanguentados das crianças para que elas não tenham lembranças negativas vendo as manchas deixadas pelo acidente. Por último, e não menos importante, os moradores da Centralidade do Kilamba reclamam do apagão que se regista nos semáforos que orientam o trânsito em boa parte da cidade (senão toda) há mais de um mês. Onde aconteceu o acidente a situação dos semáforos é a mesma, bem como na Rua das Bombas da Pumangol (onde apenas funciona os que se encontram junto a esquadra de Polícia Nacional).