Cidadãos da RDCongo alegadamente expulsos de Angola chegam em massa a Dilolo

Cidadãos da República Democrática do Congo (RDCongo) alegadamente expulsos de Angola começaram a chegar a Dilolo, cidade da vizinha província de Lualaba, noticia a Rádio Okapi, criada pela missão das Nações Unidas (Monusco), que emite a partir do território congolês.

O administrador do território de Dilolo, na RDCongo, assinalou que os congoleses expulsos de Angola começaram a chegar em massa e foram colocados em instalações sociais.
O Governo da província de Lualaba facilitou a mobilidade daqueles que chegaram antes e que se poderiam juntar aos membros das suas famílias que vivem em Kolwezi ou Lubumbashi.
O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) revela que mais de 257.000 congoleses foram devolvidos de Angola entre 01 e 15 de outubro, com a maior parte a retornar às passagens fronteiriças do território de Tshikapa, no Kasai.
O OCHA está preocupado com a violência, bem como com suas condições de vida atuais, mas o Governo angolano tem vindo a garantir que a saída dos congolenses é voluntária, negando ações violentas das autoridades.
Alguns congoleses confirmaram à Rádio Okapi as situações difíceis que os congoleses viveram em Angola, com as forças de segurança angolanas a “confiscarem tudo” e a maltratarem os cidadãos do país vizinho.
“Eles ficaram com tudo o que tínhamos: telefones, vestuário, dinheiro. Tivemos de sair de Angola tal como estamos agora. Por exemplo, esta roupa que trago agora é a mesma que uso há meses”, disse um dos congoleses expulsos.
Indignado pelo tratamento que teve, o cidadão referiu que esteve “dez anos em Angola” e estava documentado.
“Eu era alguém que estava há 10 anos em Angola. Deram os documentos e depois perseguiram. Não é normal o que Angola fez”, disse.
A maior parte dos congoleses forçados a abandonarem Angola, no âmbito da “Operação Transparência”, são originários de Bandundu, Kinshasa e antigas províncias de Kasai.
A “Operação Transparência”, iniciada a 25 de setembro nas províncias de Malanje, Lunda Norte, Lunda Sul, Moxico, Bié, Uíge e Zaire, destina-se a impedir atos sistemáticos de violação das fronteiras de Angola e da entrada e exploração ilegal de diamantes.
A operação envolve efetivos da Polícia de Guarda Fronteiras, do Serviço de Investigação Criminal e do Serviço de Migração e Estrangeiros, entre outros órgãos afetos ao Ministério do Interior de Angola